26.3.08

.dor de cabeça.

Eu até tenho uma vida boa, sabe?! Entro no trabalho as dez da manhã, saio as quatro da tarde, pego o metrô vazio e volto sentada. Onde trabalho posso sentar, conversar com a galera, comer salgadinho e beber breja quando é final-de-semana, posso mexer na internet, posso deixar o cliente super a vontade, sem precisar torrar o saco dele, e todas essas coisas que vendedores de loja adorariam fazer e quando me vêem fazendo enchem meu saco, mas eu sei que lá no fundinho eles estão mor-ren-do de inveja. Tirando que mesmo com toda essa 'mordomia' eu ainda consigo ganhar mais que eles. HAHAHAHAHA.
Mas assumo, ainda há muitas coisas para serem feitas. Muitas vontades pra serem realizadas, muitos sonhos pra trazer a vida real, muitas idéias que, sei lá porque, sempre acabam ficando para depois. Na verdade mesmo, a gente precisa viver e vencer cada dia. É um trabalho árduo que ás vezes dá até uma preguicinha, mas o negócio é sobreviver e respirar profundamente, aliviadamente.
E na maioria das vezes, os problemas não nos dão trégua. Estão sempre lá a nos cutucar como alfinete que entra vagarosamente na pele, entra e vai até o fundo, fazendo sangrar ... depois cicatriza. Deixando apenas uma lembrança, a dor.
Mas é aquela coisa, né?! Pra isso que existem as boas cervejas, as boas comidas, os bons amigos e os bons diálogos. Só por isso que nos mantemos em pé, assim um a segurar no outro. Um dia é o meu de chorar, no outro o seu, a gente vai revezando e rezando. E toma neosaldina pra passar ...



(Eu morro de inveja das pessoas do meu trabalho)

24.3.08

.vou seguindo as notas do simulacro.

Sou assim mesmo, quase um simulacro.
Eu sei que poderia escolher o mais fácil, mas não adianta, sempre corro atrás do mais difícil. Pra mim tenho a culpa de todas as culpas, e as que não tenho, é óbvio, tomo-as para mim.
As crises de segunda-feira à noite sempre me tomam, eu sinto um vazio, não consigo me achar. E as quartas-feiras eu normalmente me acho, mas ai ataca-me uma crise de desagrado.
Tem gente que acha que eu ganharia um Oscar por causa da dramatização que faço e tem gente que acha incrível esse meu jeito de ser , tão alegre e melancólica. Eu ... acho insuportável.
Tá, às vezes eu me acho a pessoa mais legal do mundo, mas só às vezes.
Eu não suporto que me escolham caminhos, mas fico puta comigo mesma porque há um tempo eu tenho deixado a vida escolher por mim. Tenho (quase) tudo, mas sinto-me completamente sem nada.
É desse jeito mesmo, contraditório. Quando vou, a chuva cai, quando caminho, o sol não brilha e quando brilha, surge com aquele tom amarelado horrível que eu chamo de pureza.

Me dá medo crescer. Mas acho que já cresci rápido demais.
Eu me afobo e paro. E quando paro ... fico afobada.
Acho que o tempo passou e dessa vez eu não fui junto.
Diga-me, você gosta de mim por tudo o que eu sou?! E pelo o que eu não sou, continuo agradando?!
Porque eu vou lhe dizer uma coisa, eu sofro. Primeiro porque eu não sei ser não sendo. Pra mim não ser, é ser sem escolher. E eu gosto de escolher.
Sabe porque eu não me encontro?! Porque por definição eu sou contraditória, e quem é contraditória não pode definir-se.
Meu problema, eu sei, sou só eu. Não me odeie por eu ser assim.

Na minha vida há um buraco, e eu não sei do que ele é feito.