28.5.08

.foi na tristeza que enchergou um olhar.

E assim ela se perde, olhando estes dias de maio, em que o mundo, feito de tons de cinza, lhe engole viva.
Talvez ela tenha feito pouco desse céu cinza. Contando com ele para somar-se a ela. Eis então que veio o azul, e com o branco misturou-se, criou dali um Sol que ela não queria, porque escondido lhe fazia um bem enorme.
Esta semana ela teve vontade de viajar. Queria colo, mas passava das onze quando este desejo a atingiu. Chovia.
Ela nem sabia daonde vinha tudo isso e pediu a Deus pra morrer.
Ele não ouviu. De novo, e lhe quis perdulária por mais tempo.
Se ele ouvisse, ela não teria Babi para alegrar os olhos, a Marjorry para contar-lhe histórias, a Mamãe para lhe fazer cafuné e comidinhas gostosas e seu Pai com os mais sábios simples conselhos e cervejas no cair da tarde.
Ela não lhes contaria como fora seu último tombo.
Sobre a dor sentida.
Não compartilharia, assim como faz agora.
E então ela viu seus olhos no espelho, e percebeu que eles mudaram. Ela ficou mais velha, e parece que tudo ganhou peso.
Parou e pensou: 'se é verdade que se morre para virar outra pessoa, ou pessoa nenhuma, então quantas mortes minhas já não vivi?! E quantas mais não presenciei daqueles com quem convivo?! Quantas juntam-se, quantas esvaem-se?!'
Massageou os ombros. Umas pesam neles, outras jazem aliviadas em suas covas. Ela já foi palco ... já foi platéia.
E enquanto encarava o espelho, assumiu a si mesma, que matou-se tantas vezes para no momento presente sentir um tiquinho de orgulho do que pensava ser.
Mas hoje, suas escadas têm um sentido novo, porque ela voltou a respirar.
Concordou que cada passagem da vida é dolorida como a morte.
No corpo ela sente: uma pessoa precisa morrer para outra florescer no lugar.
Tratou então de não esquecer, que faz parte doer.

Sentiu?



' astúcia sufoca o peito, o medo e a contravenção. caminho por ruas, bifurcações mas no fim da minha rua tem areia branca. o céu, o sol, o mar ... o ceú, o sol e o mar '

20.5.08

.ao dia da rotina, com os loucos.

Um dia como todos o outros, um dia de chuva na comecinho do dia, aquele frio, aquela neblina ... o cachecol enrolado no pescoço. vamos a luta. encarar o vento gelado na cara. os pés me levando pro caminho da rotina, o mais demorado que puder. por mais incrivel que pareça, não estou atrasada. hoje não. hoje o tempo é meu amigo. me leva de mãos dadas. o bilhete-único fez a catraca apitar. merda, odeio quando isso acontece. resolvo meu problema, carrego com uma nota amarelinha e continuo meu caminho. meu corpo frio, meus pensamentos quentes. aquele metrô cheio de gente, cada um com uma vida, uma história, uma conversa ... coloco meus fones de ouvido. hoje não tô pra palavras. não tô pra pessoas. não tô pra ninguém. hoje acordei metade. levantei ao meio. hoje sou porcentagem.
Chego ao meu destino. esse trabalho fácil, que me dá dinheiro ... e prazer nenhum. como eu sempre digo: coisas da vida. penso nesses recomeços contínuos. todo dia um dia, toda estrada um lugar a alcançar. toda lembrança que passa. todo silêncio que cala. 13:30 da tarde. ligação perdida no celular. fico em dúvida, não conheço aquele número, mas mesmo assim retorno a ligação. azar o meu. ninguém atende. ufa, devia ser engano. fecho o celular e continuo meu caminho. ai ele volta a vibrar, o mesmo número. atendo e escuto uma voz feminina do outro lado, fazendo uma brincadeirinha de 'adivinha quem é'. que droga, não tô pra brincadeirinhas sem graça, mas mesmo assim continuo a tentar saber quem tanto queria falar comigo, até que eu descubro e então eu paro, estarreço e penso: só existem pessoas loucas nesse mundo. quantas vezes é preciso deixar claro para uma pessoa o quanto ela não é bem-vinda? quantos pensamentos passam pela cabeça de alguém, pra ela achar que somos tão idiotas? só-gen-te-lou-ca.
Gostaria de ordenar a estas pessoas e a todos esses tipos que, VAZEM DA MINHA VIDA. isso inclui esse cara ai que se acha o vinicius de moraes e a sua namorada que a cada namorado que arranja torna-se algo diferente, dessa vez ela é a nova garota de ipanema. olha só, eu já bloqueei e deletei o email, o orkut, o fotolog e o msn de vocês. no caso do 'Vinicius de Moraes Cover', eu já queimei suas fotos e doei seus presentes. já esqueci que você existe. você e toda essa corja que te acompanha (a não ser pela sua irmã, que eu adoro de verdade!). e pela última vez: eu não quero mais saber desta merda que é sua vida, sua banda e suas xavecadas extras por ai. chega. me deixem em paz, não quero mais saber de gente louca no meu pé. parem de me telefonar, de me escrever, de lembrar de mim, de me convidar pra ir no lançamento do cd da sua banda. arrumem alguma novela, assistam ao big brother, assinem a tv a cabo, comprem um pinto de borracha, comprem binóculos e espiem seus vizinhos, eu sei lá, mas LARGUEM DO MEU PÉ.
Eu não quero saber da vida de vocês, eu não quero saber de nada de vocês, espero sinceramente que dessa vez tenha ficado bem transparente.








'Já passei por ruas, túneis, bifurcações, mas agora eu percebi que você não passa de um espaço aberto pela multidão.
Eu não vou mais lhe procurar, o meu caminho é um só e eu preciso seguir: atento, em frente, distante de tudo que possa me levar ao mal.
Eu vou seguindo além dos arranhões, colocando sal nas feridas e esperando o tempo que o tempo demora para curar.'

5.5.08

.carrego nossas cores nos meus olhos.

'Dai-me outra cor, que não seja a do seu olhar
Dai-me outro amor, que venha pra me perpetuar
Dai-me outra cor, que não tenha o que eu quero enxergar
Dai-me uma dor, que sirva para eu acordar

Dai-me outra cor, dai-me o amor, dai-me uma dor ...
Pelas esquinas que eu andei, nenhuma delas te encontrar
Mas eu tô sempre por aqui, quando quiser é só chamar'




E hoje faz um ano, meu querido.
Faz um ano que você busca as minhas mãos. E eu os seus olhos.
Não parece que foi ontem?!
Vou me lembrando assim ... devagarinho ... que te amo.