30.6.08

.resposta à mensagem recebida numa tarde fria.

Eu queria poder entender e esquecer, por alguns segundos, o que nos tornamos com essa distância quilométrica das nossas cidades e dos nossos centímetros. Respiro sonhos de cinco letras. Sobrevivo no limite. Me sinto pior assim, do que não saber mentir. Negar certas coisas a si mesmo é algo como o oitavo pecado capital. Eu finjo conseguir viver sem o que você sempre me deu, sem nenhuma cobrança exorbitante ou feroz. Cometo um crime atrás do outro. Estou esperando a salvação desse estar dentro do que não sou, desejando piamente estar dentro de você quando nossos olhos estiverem cerrados, trêmulos e amantes. Eu ainda acredito que um dia eles voltarão a ficar juntos. Grandes amores não morrem, eles adormecem. Mas o meu, como um bebê recém-nascido, ainda chora, grita e implora pelos seus cuidados. Grandes amores são simplórios na sua magnitude, mas são complexos na sua força. E o tempo, anda passando por mim. O tempo me carrega no colo. O tempo curou meu passado, mas deixou o presente de presente. O seu presente. Fincado aqui, dentro de mim. Rasgando em tiras finas, o meu coração. Você errou com seu peito. E eu com o meu. Mas olha só, eu aqui. Deixando pra lá os nossos erros. Esquecendo-os. Engolindo-os e tomando um ENO pra digestão ser mais rápida. Eu entendo quando culpamos o tempo, mas não compreendo quando falamos no passado. Pelo menos em mim, alguma coisa ainda vive. Alguma coisa ainda pulsa. O tempo ainda compõe lindas músicas pros meus ouvidos. Da melodia triste e pesada á mais bela e alegre. Ainda vive. Ainda pulsa. As lacunas ainda perduram. Perduram somente pela falta que seus lábios fazem aos lábios meus. Sonhos de cinco letras. Acordo. Volto à realidade da mudez dos telefones, da facada das mensagens, da impotência de ser nada para o tudo. Da realidade de ser triste. Acordada. As coisas lindas também continuam aqui guardadas, não num baú empoeirado embaixo da cama, mas no travesseiro macio onde repouso minha cabeça todo dia e que permite sonhar esse sonho de cinco letras. Cinco letras.

23.6.08

.a arte de desatar nós e sentidos.

Hoje acordei com aquela certeza de que seus olhos verdes já não surtam mais efeito nos meus.

Conversei com uma amiga e pensei na possibilidade de nós desatados.
Me senti feliz.
Porque por anos, meses, dias eu me permiti sofrer por você. E não somente pelos seus erros, gestos e táticas, mas porque eu realmente amei você e porque em algum momento você também me amou. Talvez não com a mesma intensidade que a minha, mas amou. Eu sei.
Mas não estou aqui para mensurar sentimentos, porque aprendi com o rapaz da blusa de frio cinza, que isso não é correto. Temos que aceitar o que os outros dão pra gente. E foi ai que eu percebi que eu nunca aceitei o que você me dava. Eu sempre quis mais. Porque eu sentia que merecia mais ...

Por isso queria te dizer, que sei que a culpa não foi somente sua. Talvez eu tenha somente dado o azar de estar com você na sua pior fase. Naquela onde a gente descobre nossas qualidades e a exaltamos para conseguirmos algumas coisas. E eu sei que deveria ter me tocado antes, que deveria ter escutado alguns amigos, deveria ter tido um pouco mais de feeling e percebido que nada daquilo daria em lugar algum.

Tive um pouco de inveja das pessoas que conseguiam seguir em frente, logo depois das decepções amorosas que você causava nelas. Porque eu queria sair daquilo o mais rápido que eu pudesse, porque eu tinha certeza que se não saísse, ficariam resquícios de você em mim e foi exatamente isso que fez eu chegar ao fundo do poço. Mas um dia, quando eu resolvi encarar o espelho, percebi que se eu largasse você, te perderia. Engraçado, como podemos perder alguém, que nunca tivemos?!

Claro que não tiro seus erros de circulação! Você foi um filho-da-puta-de-um-sacana, e espero que saiba disso! Não sei porque agia daquela forma e me senti muitas vezes traída pelas suas palavras, que por vezes me demonstravam tanta sinceridade e do nada caíam em contradição. Mas o problema estava ai: você sempre foi contraditório. E eu não queria acreditar nisso! A tal música que você escreveu pra mim já premeditava o que estava acontecendo, mas eu, como uma mulher apaixonada, pensei que aquilo era mais uma declaração de amor. Aah, como cegamos quando há amor, não?! Sabe, existe um erro nessa música, ele é aquele 'será' depois do 'te amo como um amigo' - sobra muita reticência naquela parte. Uma sobra que sempre foi seca! Sempre! E foi por causa desse 'será' que me permiti sofrer por tanto tempo.

Eu achei que a minha visão seria cruel naquele domingo. Que ver você faria minhas mãos tremerem descoordenadas, que minha respiração tornaria-se audível e meus olhos há tanto tempo enfraquecidos recuperariam seu brilho original. Mas por incrível que pareça (e digo isso porque 'ninguém' acreditará em mim) minhas mãos seguiram com suas rotinas diárias, sem maiores tropeços. A respiração permaneceu igual, longe de qualquer som estridente. E os olhos, bom sobre eles eu tenho o que falar, porque assim, ao meu ver assuntos mal-resolvidos ficam guardados em nós até que eles se resolvam naturalmente, e apesar de ter trocado com você apenas três ou quatro palavras, aquela troca de olhares rápida que tivemos, enquanto você estava em cima daquele palco, onde um dia já fomos platéia, eu senti que as minhas pupilas que antes imploravam por qualquer demonstração de afeto, naquele domingo somente sorriam pacíficas, prestando atenção ao que saía de sua boca e a mim, elas vinham apenas como palavaras somadas.

Mas é como dizem as pessoas: o tempo cura. As vezes demora, mas cura!
E o domingo foi o dia em que eu coloquei sal nas feridas, foi o dia em que me senti viva de novo. Foi no Copolla que eu realmente percebi que 'você não passa de um espaço aberto pela multidão' (obrigada China, esse trecho da sua música sempre calha bem!).
Foi lá que os nós finalmente desataram-se. Foi o dia em que meu coração não bateu forte demais, nem lento demais ... ele simplesmente bateu numa estabilidade em que eu pensei jamais ser possível!

E quando entrei no carro do Marcel, eu senti que todo aquele peso que habitava minhas costas há tanto tempo, começou a alçar vôo. E voou ... Voou e levou junto, de mãos dadas, o meu medo de me magoar de novo com qualquer pessoa que possa ficar perto de mim. Levou a necessidade que eu sentia em precisar odiar tanto e me proteger tanto que ficava demasiadamente má, e assim começava a fazer maldades comigo. Hoje eu sinto que posso assumir esse peso. Posso assumir meu medos. Posso assumir toda essa merda. E mesmo assim, consigo voar ainda mais alto, como se flutuasse. Hoje surpreendentemente, me sinto mais leve.

Pensei comigo enquanto chegava em casa, que se dava pra sair dessa 'loucura' que foi 'ter' você, sentada naquele banco de passageiro, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.

O que restou de você em mim, foi o aprendizado de não sentir nada.

Hoje eu me sinto livre!

Então ... obrigada.

20.6.08

.cuspindo palavras (pt.2).

Enquanto isso no msn ...

Ju diz:
Buscar perfeição é uma forma de fugir do medo de amar, sabia???

.mila. - .simulacrodepalavras.blogspot.com. diz:
Ai, essa bateu forte na espinha!





É ...

18.6.08

.quando meu sorriso se perdeu.

Antes de mais nada, me desculpe ...

Olha só, eu sei que te machuquei, sei que fiz de tudo um pouco contigo, que baguncei sua vida, deixei ela de cabeça pra baixo, que disse coisas que não foram legais, que fui covarde, e que joguei muita coisa fora. Sei que errei. Mas sei que também te amei. Sei que um dia, pensei em ter filhos contigo, pensei em dizer te amo, pensei em fazer amor contigo, pensei lhe fazer mil surpresas e declarações de amor. Pensei, pensei ... e quando resolvi fazer, ao invés de só pensar, vi que era tarde demais.
Não quero e nem preciso falar dos teus erros. Você sabe que também os cometeu. É aquela coisa, todos aqui somos humanos, todos fazemos muita merda, falamos muita merda e depois percebemos quanta bosta sobrou de tudo aquilo que vivemos. Mas eu não quero pensar assim ...
Porque como de todos, que um dia foram, também existe algo de você guardado aqui. Nós aprendemos com todos sabia?! Independente do que eles fizeram ...
E com você eu aprendi algumas coisas, e uma delas foi escutar verdades! Você me disse muitas delas. Crua e nua. É impressionante como você foi a única pessoa que nunca mediu palavras comigo, nunca pensou muito antes de falar, você simplesmente falava, não importava se eu iria gostar ou não. E o mais engraçado de tudo isso é que sempre falei mais do que ouvi. Eu tenho essa mania irritante e idiota de as vezes querer contar mínimos detalhes das histórias. Mas quando você abria a boca, eu parava pra escutar e ficava com aquela cara de boba, pensando: 'puta merda, o que esse cara ta falando?!' - Dói admitir, mas eu sempre admirei isso em você!

Nós dois juntos, somos aquele misto de sensações contraditórias. Amor e ódio caminhando juntos ...

Talvez o que tenha amornado tudo, foi esse jeito trocado que nós dois temos, eu muito racional, você muito emocional. Talvez eu tenha sofrido demais e você amado demais. É ... talvez. Lembro que sempre que iríamos nos encontrar fazia frio. Nunca em todo esse nosso tempo juntos fez um dia sequer de calor! Então toda vez que ia te encontrar, sentia aquele vento gelado bater no rosto e pensava que logo essa sensação passaria, pois eu encostaria no seu peito e aquela sua blusa de frio cinza esquentaria tudo ao meu redor.
Sabia que eu permiti o vento tocar minha pele pra, talvez, te sentir mais uma vez?! E quando tocou, abri um sorriso sutil. Vaguei meus olhos pelas ruas vazias, numa esquina qualquer e sequer ouvi tua gargalhada, quem dirá me encontrar com olhos teus. Os olhos coloridos. As cores que deformam. Como aquela música do Mombojó que me faz lembrar você. Aliás nem te contei, mas no último show deles que eu fui, eles tocaram essa música, sabia?! Eu fechei meus olhos e pensei em você.

Ei, que tipo de história ficou entre a gente?!

Já sei, serei ouvinte das mais novas narrativas e dos mais novos cheiros e sorrisos que ocorrerão pelo caminho e, talvez, numa noite suave de brisas leves, vou deixar contorcer meus músculos num lapso insano de conter lembranças profundas de algo que existiu, algo que ficou.

Ai se me faltasse cautela ...

Um dia desses eu me olhei no espelho e percebi que o brilho das pupilas, me diziam que, algo havia ficado opaco. Então eu fui e joguei ali, naquele canto escuro, embaixo dos tacos que revestem o chão, nos vãos, com poeira e migalhas - o que me restou depois de uma tarde de olhos perdidos e contensão de gotas que me salvariam a alma. Fiz também dos seus pedaços, um outro qualquer, quem sabe, mas fiz. Reconstruí de maneira instintiva o que tinha ao alcance. Amarguei por longos dias, não sei bem, tentei contar, nem sequer lembrei, por isso contive as mais dolorosas palavras e gargalhei aos olhos alheios. E foi assim que te escondi, não na caixa mais escura, mas naquela cinza e com meia-luz, pra que não me deixe fugir da audição o som mais macio de uma única gargalhada sua. Porque por mais que eu não queira, ainda ouço ela aqui, dentro da minha cabeça, ecoando ... ecoando.
E o que eu sempre tentei lhe dizer foi que, agora eu resolvi acreditar num futuro de luzes, aonde caminharei e acertarei o rumo que me levará a esses romances de msn, de bares, de roda qualquer, de esquina de bairro. Ouvi por longos minutos esse seu nome que ensurdecia meus ouvidos. Passaram-se, talvez, vidas, momentos, pessoas, e hoje, já não ouço mais. Tento por alguns dias buscar algo que me leve pra um abraço distante, algo que por alguns outros longos minutos me levou à proteção mais bonita que já tive.

Ei, eu já não sou mais aquela ... sou essa.
Me transformei nessa pessoa fraca, porém, corajosa e decidi que tenho que lhe deixar caminhar pro caminho que lhe cabe. E eu ao meu.
Talvez este seja mais um rascunho de uma despedida forçada, ou a despedida, de fato. O que pipoca aos meus olhos já não posso controlar, te estendo a mão e peço pra que siga, mesmo sendo egoísta o suficiente pra te perturbar a alma, mas me desfiz de sentimentos de posse há um belo tempo.

Hoje nossa contradição anda de mãos separadas.

14.6.08

.é assim que tudo transforma-se em sorrisos.

É mais ou menos assim, não preciso pedir, nem demonstrar ou prometer nada. É gratuito. É constante. Está ali mesmo quando nem me lembro. E quando me dou conta - com uma frase bonita de supetão, um telefonema, um recado, um sorvete, um convite, um abraço, um sorriso - a cabeça desanuvia-se. Para quê dar corda para o resto, afinal?! Basta lembrar que tenho você e tudo em mim vira 'deixa-disso'.

Foi assim que eu aprendi que a vida é mais. Porque a vida é Bárbara!




'eu tenho a chave, nada impede a vida acontecer ... deixe-se acreditar, nada vai te acontecer, tudo pode ser, nada vai acontecer, não tema: ESSE É O REINO DA ALEGRIA!'

9.6.08

.cuspindo palavras (pt. 1).

ele ligou pra ela. ela não atendeu. depois sentiu culpa.
pra variar.

.os outros ... são os outros.

Eu vivo com essa sensação de abandono, de falta, de pouco, de metade. Mas nada disso é novidade.
Porque sempre houveram outros ...
Teve o outro que dizia me amar, mas era covarde o suficiente para tentar, o outro que diz que não vai me decepcionar de novo, mas não sei porque não consigo acreditar, e o outro que continua indo embora para sempre, porque na verdade ele nunca foi embora pra sempre, pelo menos até mês passado.
Eu percebi que não sei deixar ninguém partir, eu não sei escolher, excluir, deletar. São as pessoas que resolvem me deixar, talvez seja melhor assim, adoro não ser responsável por absolutamente nada, odeio o peso que uma despedida eterna causa em mim. Nada é eterno. E eu não quero brincar de Deus.

6.6.08

.vamos lá ... atire no dramaturgo.

Porque ele traduz meus pensamentos e meus choros da madrugada:

Escrito por Mário Bortolotto às 11h36:

Agora que já acordei, relativamente sóbrio, deixa eu explicar o texto aí de baixo (não que eu tenha necessidade de explicar nada pra ninguém, mas é que acho que o assunto vem bem a calhar) que escrevi quando cheguei ontem em casa, relativamente bêbado e tentei assistir "Uma noite sobre a terra" como fiz há vários anos atrás em Curitiba: é que ontem discuti muito com um amigo sobre os textos que escrevo aqui no blog. Ele alegava que escrevo textos muito tristes e que se tava tão triste assim, era só procurar mudar de vida e aí não precisaria mais escrever textos assim. Quer dizer, foi mais ou menos esse o teor da discussão. A gente discutiu muito mais sobre vários outros assuntos, com argumentação entusiasmada e enérgica de ambos os lados, mas ninguém tem nada a ver com isso. Amigos discutem, socam a mesa, se levantam irritados e insultam os deuses, se for preciso. Também faz parte da vida, sabe como é. Mas em resumo, o que quis dizer é que não fujo de tristeza que pra mim, faz parte da vida. Não vou tomar anti-depressivo nem procurar paliativos falsos pra anestesiar algo que faz parte da minha vida. E quando escrevo um texto triste aqui, de maneira nenhuma estou reclamando de nada. Eu tô é aproveitando o momento. Escolhi o meu jeito de viver, e pago o preço, na boa. Não sou de reclamar de nada, e nem de pedir ajuda de ninguém. Não tô aqui tirando uma de orgulhoso do tipo "não preciso de ninguém". É claro que preciso. Mas não peço, sabe como é. Eu ando por aí, com os números de telefone sumindo no bolso da minha calça. Não tem nada de mais. Foi o jeito que escolhi viver e já respondendo pra outro amigo numa conversa de outro dia. Era um cara bem mais jovem querendo ouvir a opinião de um cara mais velho. E por isso ele perguntava sobre medos que ele já tinha mesmo sendo tão jovem - as pessoas se agarram em tábuas de salvação muito antes das barbatanas dos tubarões aparecerem no horizonte: "Não, Brother, não tenho medo de nada. Sequer tenho medo de solidão. Às vezes pode ser muito triste, mas tristeza como eu já disse, faz parte da vida". E sempre dá pra tentar fazer embaixada com uma tampinha de tampico. É só eu sentir que meu joelho responde melhor. Depois ainda posso ir embora cantando baixinho "The wind cries Mary". Então não me interpretem mal. Posso até não estar bem de vez em quando, mas não tô reclamando de nada. Nunca. Como diria Patti Smith: "Meus pecados são só meus. Não quero ninguém pagando por eles". É meu jeito de estar bem, mesmo quando estou mal. '



Escrito por Mário Bortolotto às 04h15:

'Lembro que tava andando em Curitiba. E tava um puta frio. E ela me servia de proteção e agente intimidatório. Lembro de chegar em casa e ficar com vontade de ligar pra ela. Mas eu nunca fiz. Não sou de fazer esse tipo de coisa. Cada um leva a vida do jeito que escolheu. Deus nos concedeu essa colher. Você é que resolve jogar de um jeito torto e ficar preso na armadilha, blefar na hora errada e berrar "truco" quando não tem as cartas. Aí vê se não reclama quando acabar sozinho e velho tirando uma embaixada com tampinha de tampico. Quem te garante que você podia estar melhor? Levo a vida que escolhi e ninguém vai me ver responsabilizando ninguém por isso. Porque agora vou deitar na cama sozinho, vou esticar os dedões e vou assistir de novo "Uma noite sobre a terra". Quem me garante que eu podia estar melhor? Boa noite pra todo mundo. '

mais: ' http://atirenodramaturgo.zip.net '




'
Will the wind ever remember the names it has blown in the past? And with this crutch, its old age and its wisdom, it whispers, "no, this will be the last." And The Wind Cries Mary. '