18.6.08

.quando meu sorriso se perdeu.

Antes de mais nada, me desculpe ...

Olha só, eu sei que te machuquei, sei que fiz de tudo um pouco contigo, que baguncei sua vida, deixei ela de cabeça pra baixo, que disse coisas que não foram legais, que fui covarde, e que joguei muita coisa fora. Sei que errei. Mas sei que também te amei. Sei que um dia, pensei em ter filhos contigo, pensei em dizer te amo, pensei em fazer amor contigo, pensei lhe fazer mil surpresas e declarações de amor. Pensei, pensei ... e quando resolvi fazer, ao invés de só pensar, vi que era tarde demais.
Não quero e nem preciso falar dos teus erros. Você sabe que também os cometeu. É aquela coisa, todos aqui somos humanos, todos fazemos muita merda, falamos muita merda e depois percebemos quanta bosta sobrou de tudo aquilo que vivemos. Mas eu não quero pensar assim ...
Porque como de todos, que um dia foram, também existe algo de você guardado aqui. Nós aprendemos com todos sabia?! Independente do que eles fizeram ...
E com você eu aprendi algumas coisas, e uma delas foi escutar verdades! Você me disse muitas delas. Crua e nua. É impressionante como você foi a única pessoa que nunca mediu palavras comigo, nunca pensou muito antes de falar, você simplesmente falava, não importava se eu iria gostar ou não. E o mais engraçado de tudo isso é que sempre falei mais do que ouvi. Eu tenho essa mania irritante e idiota de as vezes querer contar mínimos detalhes das histórias. Mas quando você abria a boca, eu parava pra escutar e ficava com aquela cara de boba, pensando: 'puta merda, o que esse cara ta falando?!' - Dói admitir, mas eu sempre admirei isso em você!

Nós dois juntos, somos aquele misto de sensações contraditórias. Amor e ódio caminhando juntos ...

Talvez o que tenha amornado tudo, foi esse jeito trocado que nós dois temos, eu muito racional, você muito emocional. Talvez eu tenha sofrido demais e você amado demais. É ... talvez. Lembro que sempre que iríamos nos encontrar fazia frio. Nunca em todo esse nosso tempo juntos fez um dia sequer de calor! Então toda vez que ia te encontrar, sentia aquele vento gelado bater no rosto e pensava que logo essa sensação passaria, pois eu encostaria no seu peito e aquela sua blusa de frio cinza esquentaria tudo ao meu redor.
Sabia que eu permiti o vento tocar minha pele pra, talvez, te sentir mais uma vez?! E quando tocou, abri um sorriso sutil. Vaguei meus olhos pelas ruas vazias, numa esquina qualquer e sequer ouvi tua gargalhada, quem dirá me encontrar com olhos teus. Os olhos coloridos. As cores que deformam. Como aquela música do Mombojó que me faz lembrar você. Aliás nem te contei, mas no último show deles que eu fui, eles tocaram essa música, sabia?! Eu fechei meus olhos e pensei em você.

Ei, que tipo de história ficou entre a gente?!

Já sei, serei ouvinte das mais novas narrativas e dos mais novos cheiros e sorrisos que ocorrerão pelo caminho e, talvez, numa noite suave de brisas leves, vou deixar contorcer meus músculos num lapso insano de conter lembranças profundas de algo que existiu, algo que ficou.

Ai se me faltasse cautela ...

Um dia desses eu me olhei no espelho e percebi que o brilho das pupilas, me diziam que, algo havia ficado opaco. Então eu fui e joguei ali, naquele canto escuro, embaixo dos tacos que revestem o chão, nos vãos, com poeira e migalhas - o que me restou depois de uma tarde de olhos perdidos e contensão de gotas que me salvariam a alma. Fiz também dos seus pedaços, um outro qualquer, quem sabe, mas fiz. Reconstruí de maneira instintiva o que tinha ao alcance. Amarguei por longos dias, não sei bem, tentei contar, nem sequer lembrei, por isso contive as mais dolorosas palavras e gargalhei aos olhos alheios. E foi assim que te escondi, não na caixa mais escura, mas naquela cinza e com meia-luz, pra que não me deixe fugir da audição o som mais macio de uma única gargalhada sua. Porque por mais que eu não queira, ainda ouço ela aqui, dentro da minha cabeça, ecoando ... ecoando.
E o que eu sempre tentei lhe dizer foi que, agora eu resolvi acreditar num futuro de luzes, aonde caminharei e acertarei o rumo que me levará a esses romances de msn, de bares, de roda qualquer, de esquina de bairro. Ouvi por longos minutos esse seu nome que ensurdecia meus ouvidos. Passaram-se, talvez, vidas, momentos, pessoas, e hoje, já não ouço mais. Tento por alguns dias buscar algo que me leve pra um abraço distante, algo que por alguns outros longos minutos me levou à proteção mais bonita que já tive.

Ei, eu já não sou mais aquela ... sou essa.
Me transformei nessa pessoa fraca, porém, corajosa e decidi que tenho que lhe deixar caminhar pro caminho que lhe cabe. E eu ao meu.
Talvez este seja mais um rascunho de uma despedida forçada, ou a despedida, de fato. O que pipoca aos meus olhos já não posso controlar, te estendo a mão e peço pra que siga, mesmo sendo egoísta o suficiente pra te perturbar a alma, mas me desfiz de sentimentos de posse há um belo tempo.

Hoje nossa contradição anda de mãos separadas.

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