6.6.08

.vamos lá ... atire no dramaturgo.

Porque ele traduz meus pensamentos e meus choros da madrugada:

Escrito por Mário Bortolotto às 11h36:

Agora que já acordei, relativamente sóbrio, deixa eu explicar o texto aí de baixo (não que eu tenha necessidade de explicar nada pra ninguém, mas é que acho que o assunto vem bem a calhar) que escrevi quando cheguei ontem em casa, relativamente bêbado e tentei assistir "Uma noite sobre a terra" como fiz há vários anos atrás em Curitiba: é que ontem discuti muito com um amigo sobre os textos que escrevo aqui no blog. Ele alegava que escrevo textos muito tristes e que se tava tão triste assim, era só procurar mudar de vida e aí não precisaria mais escrever textos assim. Quer dizer, foi mais ou menos esse o teor da discussão. A gente discutiu muito mais sobre vários outros assuntos, com argumentação entusiasmada e enérgica de ambos os lados, mas ninguém tem nada a ver com isso. Amigos discutem, socam a mesa, se levantam irritados e insultam os deuses, se for preciso. Também faz parte da vida, sabe como é. Mas em resumo, o que quis dizer é que não fujo de tristeza que pra mim, faz parte da vida. Não vou tomar anti-depressivo nem procurar paliativos falsos pra anestesiar algo que faz parte da minha vida. E quando escrevo um texto triste aqui, de maneira nenhuma estou reclamando de nada. Eu tô é aproveitando o momento. Escolhi o meu jeito de viver, e pago o preço, na boa. Não sou de reclamar de nada, e nem de pedir ajuda de ninguém. Não tô aqui tirando uma de orgulhoso do tipo "não preciso de ninguém". É claro que preciso. Mas não peço, sabe como é. Eu ando por aí, com os números de telefone sumindo no bolso da minha calça. Não tem nada de mais. Foi o jeito que escolhi viver e já respondendo pra outro amigo numa conversa de outro dia. Era um cara bem mais jovem querendo ouvir a opinião de um cara mais velho. E por isso ele perguntava sobre medos que ele já tinha mesmo sendo tão jovem - as pessoas se agarram em tábuas de salvação muito antes das barbatanas dos tubarões aparecerem no horizonte: "Não, Brother, não tenho medo de nada. Sequer tenho medo de solidão. Às vezes pode ser muito triste, mas tristeza como eu já disse, faz parte da vida". E sempre dá pra tentar fazer embaixada com uma tampinha de tampico. É só eu sentir que meu joelho responde melhor. Depois ainda posso ir embora cantando baixinho "The wind cries Mary". Então não me interpretem mal. Posso até não estar bem de vez em quando, mas não tô reclamando de nada. Nunca. Como diria Patti Smith: "Meus pecados são só meus. Não quero ninguém pagando por eles". É meu jeito de estar bem, mesmo quando estou mal. '



Escrito por Mário Bortolotto às 04h15:

'Lembro que tava andando em Curitiba. E tava um puta frio. E ela me servia de proteção e agente intimidatório. Lembro de chegar em casa e ficar com vontade de ligar pra ela. Mas eu nunca fiz. Não sou de fazer esse tipo de coisa. Cada um leva a vida do jeito que escolheu. Deus nos concedeu essa colher. Você é que resolve jogar de um jeito torto e ficar preso na armadilha, blefar na hora errada e berrar "truco" quando não tem as cartas. Aí vê se não reclama quando acabar sozinho e velho tirando uma embaixada com tampinha de tampico. Quem te garante que você podia estar melhor? Levo a vida que escolhi e ninguém vai me ver responsabilizando ninguém por isso. Porque agora vou deitar na cama sozinho, vou esticar os dedões e vou assistir de novo "Uma noite sobre a terra". Quem me garante que eu podia estar melhor? Boa noite pra todo mundo. '

mais: ' http://atirenodramaturgo.zip.net '




'
Will the wind ever remember the names it has blown in the past? And with this crutch, its old age and its wisdom, it whispers, "no, this will be the last." And The Wind Cries Mary. '

Um comentário:

disse...

:-) É bem isso, né?!
eu concordo em gênero, número e grau com o texto e com o "conceito" de estar mal estando bem.. de que chorar não significa tristeza.. e essas coisas..
ah.. mas isso você sabe.. de tantas conversas compartilhadas e lágrimas trocadas.
E é tão bom quando a gente vemos o que temos dentro externalizado.. por nós mesmos.. ou por pessoas que a gente gosta muito.. tipo o Mário pra você. Tipo a Clarice pra nós duas...


Mi... um maioooor abraço pra você!