30.9.08

.dos contos, um tanto reais.

Ela chegou cansada, trazendo junto a ela sua bolsa embaixo do braço e as sacolas do supermercado na outra mão. Tocou o interfone, mas ninguém atendeu. Na tentativa de equilibrar tantas coisas, abriu a porta sozinha. 
Já era habitual. 
Quando entrou, logo tropeçou em alguma coisa que não dava pra ver o que era, a luz estava apagada. 'Que porra é essa no caminho?!' - pensou, mas soltou somente um suspiro longo de conformismo. Deixou a sacola na mesa do centro, e começou a preparar algo pro jantar. 
Ela gostava de ver ele comer, rápido, desastrado e faminto. Pois mesmo sabendo que ficaria estressada, que de alguma forma discutiriam, que perderiam o dia todo naquilo, porque ambos não tinham a menor prática de estarem juntos, ela insistia em cozinhar pra ele. 
Depois de tudo pronto, resolveu ir ao quarto. 
Acendeu a luz. 
Ele estava deitado na cama, vendo tv, de tênis e tudo. 
Parecia proposital. 
Ela disse oi, ele nem olhou. Ela tirou a roupa, ele nem olhou. Ela enrolou o cabelo com uma toalha pra não molhar no chuveiro e ele remexia coisas no quarto. Quando saiu do banheiro, viu que havia uma mala perto da porta:
- O que é isso?! - Apontou ela pra mala. - Vai viajar?! 
Ele parou, olhou no fundo dos olhos dela e respondeu:
- Vou viajar sim, mas pra bem longe de você! 
Ela sentiu uma pontada no peito. Ele, continuou:
- Tô cansado de ser tratado assim. 
Ela abaixou a cabeça. Tinha tanta coisa pra falar, mas lhe deu razão. Os olhos lacrimejados. 
Então se recuou, mas na verdade implorava por um abraço. Ela pensou em pedir pra ele ficar, mas antes de qualquer tentativa de dizer algo, ele gritou dizendo que era melhor ela não dizer porra nenhuma e que também não viesse com essas de 'eu te amo'. Chamou ela de covarde, de mentirosa, de mimada, de egoísta. E ela era mesmo e nunca negou. Mas ela tentou insistir mais uma vez, com as mãos tremendo, querendo dizer que ela sabia que ele ainda a amava, que era pra ele parar com aquela merda, pra tirar aquela mala dali ... mas calou. 
Lembrava que a um pouco tempo atrás, havia sido ela mesma que tinha dito que não dava mais certo. Que ela estava em dúvida. Que ela queria alguma coisa diferente, mas que nem ela mesma sabia o que era. Foi ela quem pediu pra ele não dizer 'eu te amo', pra ir fazer amor no precipício, pra esquecê-la. 
Na verdade todos sabiam, ele sempre foi mais corajoso que ela e naquele instante pediu pra ela ficar, pediu pra ela cuidar dele e ela fingiu que ficou. Mas continuou partindo. Sempre partindo ... agora era ele quem partia, de verdade. 
E ela ficou ali, naquele vazio. E não pediu pra ele voltar. Engoliu seco o choro. 
E a corajem dele, calou mais ainda o silêncio que sobrou.

...

2 comentários:

disse...

Eu te liguei ontem, mas deu caixa postal.
Agora são 23:33 e eu tô (ainda) com saudade.


às vezes eu me lembro dos momentos em que... às veses eu sinto a sensação dos momentos dos quais eu era feliz e não me deixava ser.
eles vem tão rápidos...


ai Mi....


e eu tô me esforçando pra conseguir prendê-los dentro de mim, mas... eles são espertos de mais.


tô com saudade da sensação de... esperança com fé, uma quase-certeza sobre a vida, que eu tinha quando estava com você.

tô com saudade da sensação de suspiros que você é.


eu tô metade.

tonsurton disse...

Nossa, que triste.
Mas pelo menos ela ficou com o apartamento só pra ela.. E a janta também! uaiehiuahsei :P

Xuxu, saudade :P