19.11.08

.das coisas que eu aprendo com meu chefe.

.A ilusão da estabilidade.


Estabilidade/segurança/garantia - e quem não sonha com isso? No trabalho, no amor, em tudo na vida, é o que muita gente almeja, o bem supremo, sinônimo de felicidade.

As três coisas são, aliás, bem parecidas: se passa a vida sonhando em ter uma casa própria, no fundo para ter a ilusão de que dela ninguém vai nos tirar, que, haja o que houver, lá estaremos, garantidos, para sempre. Será?
E quem não gostaria de um emprego público, daqueles que ao menor sinal de resfriado se baixa ao leito sem remorso, daqueles que depois de 15 dias de repouso dá até para descolar um atestado médico que vai permitir que se fique no bem-bom por mais de 40, sem a menor culpa, sabendo que não vamos fazer a menor falta à empresa (o país), que o salário vai estar ali inteirinho no fim do mês, e que na volta o patrão (o país) não vai fazer a menor cara feia pela longa ausência (e sobretudo a certeza de que demissão, nem pensar). A não ser que você esbofeteie o seu chefe, não será nunca, jamais, mandada embora. E com um amigo deputado, tudo pode se arranjar, ah, se pode.
E a estabilidade suprema - o casamento. Tem que ser de papel passado, de preferência também no religioso, aliás, em todas as religiões possíveis.
Que tranqulidade saber que naquela folha de papel, assinada pelo juiz, está a garantia da felicidade eterna, da fidelidade; a garantia de que o amor não vai acabar, de que ele vai voltar para casa todos os dias, e que se passar a Sharon Stone nua dizendo 'vem cá, meu bem' ele não vai se sentir nem ao menos tentado; ah, que maravilha que é o casamento! Mas o de verdade, não o de levar a mala e pronto. Esses, baseados apenas em sentimentos, não querem dizer nada; os outros, só os outros são pra valer.
Um dia você consegue juntar essas três coisas tão fundamentais e tão definitivas: a casa, o trabalho, o homem, e percebe que não é feliz.
Coisa difícil, a tal da felicidade. É conseguir as coisas? Não, não é. É querer as coisas e tentar consegui-las? Talvez. Nessa longa procura passamos a vida toda às vezes achando que encontramos, para logo ver que não era bem isso; quem sabe o caminho é outro, vamos tentar mais uma vez.
Triste é um dia achar que não vale mais a pena, que já sabe de tudo, que as histórias se repetem, que no fundo tudo é igual. Até porque não é.
Para que serve o amor, afinal? Para provar que não existe um dia igual ao outro, um homem igual ao outro, uma alegria igual à outra, nem mesmo um sofrimento igual ao outro, veja só.
E é quando se tem essa certeza, a certeza de que não se sabe de nada, que a vida fica maravilhosa a cada momento.
A certeza de que não se tem certeza de nada. Saber que um curto-circuito pode incendiar a casa que você nem acabou de pagar. Que o futuro presidente pode acabar com a estabilidade do seu emprego, e você virar uma pessoa igual às outras, que pode ser demitida a qualquer momento. Que aquele homem pode sair para comprar cigarros e não voltar nunca mais.
Já pensou no horror que seria se qualquer dessas coisas te acontecesse hoje?
Então, pense no quanto você é feliz.
E aproveite.
(Danuza Leão)



;)

13.11.08

.assoprando as velinhas (pra quê?).



Sempre ouvi dizer que dias antes do seu aniversário chegar, passa por nós o tal do 'inferno astral'. Detesto assumir que as pessoas as vezes tem razão. E comigo não havia de ser diferente. Sei lá se a Lua, as estrelas, as nuvens ou o céu têm alguma coisa haver com isso, porque na minha cabeça sempre existiu somente um inferno. E que esse fosse aqui mesmo, por onde pisamos. Nunca acreditei em infernos subterrâneos, com bichinhos vermelhos com tridentes pegando fogo. Até que inventaram mais esse, o inferno astral. 
Afinal, nunca é o bastante. 
Nunca é o bastante achar somente um culpado. Nunca é o bastante olhar o espelho. Nunca é o bastante admirar o reflexo. As pessoas se acostumam a somar-se umas as outras. 
As pessoas ... á merda todas elas. Mas que vá uma de cada vez. Sem essa de grupinhos. Sem essa de mãos dadas. Sem essa de falso moralismo. Sem essa de querer agradar. Sem essa ...

Eu sinto que já passou tanta coisa, sem mesmo nada ter passado. Olha ai, o tal passado tirando conclusões, deixando-me sem dormir. Meus conhecimentos são vagos, talvez seja isso que faça eu não me agarrar em nada. Eu realmente sinto que nada sei.
Eu sigo assim, caminhando entre tijolos, flutuantes em um rio. Que corre para lado algum, para qualquer lado, que faz com que a diferença soe, indiferença. Há algo querendo fugir. Há algo querendo encontrar um lado que as cores já também 
não me dizem. As coisas se fazem presentes em cada olhar estranho.

Sim. Tenho tudo.
Sim. Tenho nada.

Não tente entender as minhas razões.
Nem sequer, em momento algum, tentei tirar do peito frase qualquer que em seu mundo fizesse sentido.
' I’m senseless
. I like my sunglasses sometimes. '

Meus olhos turvos, deixam as lágrimas correrem, mais rápidas que minhas pernas; oxalá tivessem saído maiores, teriam chegado mais longe.

Quer saber?! Á merda o meu aniversário, o inferno astral e a essa crise ridícula pela qual eu estou passando. Ou quero passar. 
Á merda as palavras que engoli, com pressa. Sem apreço. E que hoje resultam em uma gastrite nervosa. Tudo não passa de um espaço aberto, do qual a gente não consegue sair. Não consegue calçar os sapatos e voar pra bem longe. Que vá a merda as fugas para os problemas. Mas seu pudesse escolher hoje, escolheria um cigarrinho natural. Esse seria o meu melhor presente, pro pior aniversário. 
Hoje a comemoração será na base de tapa. Um tapa forte e um abraço apertado das pessoas que eu amo, mas que sempre, sempre, sempre, sempre os faço sofrer. Porque eu não sou uma boa pessoa. E eu nunca quis ser. Eu nunca quis ser nada. Sempre quis ser eu mesma. E se hoje, mais um número é somado a minha carne, ao meu cérebro é porque eu sempre tentei continuar a mesma. E essa sou eu. Sem prazer.

Parabéns pra mim. 

Um beijo, um sorriso e um abraço morno á todos vocês.

11.11.08

.um macaco que tem cera no ouvido, não precisa arranjar comida.

Me deu vontade de tatuar palavras, assim elas nunca mais escapariam de mim.

Pensei em desistir de tudo. Jogar pro alto. Mandar pro lixo.
Se assim fosse fácil, não mais existiriam.

Como água, o pensamento passa por entre os dedos. Como água, ele permanece enquanto continua a molhá-los.

Após as 19hrs, penso nas risadas que virão. É engraçado, porque são essas as únicas risadas do dia inteiro. Ao menos eu sorrio. Semana que vem não existiram mais sorrisos, pergunto a ti, pra onde eles irão?

Já me disseram que meu problema é a vontade de abraçar o mundo, de uma vez. Penso eu, como poderia, se meus braços tão curtos são.

O que vivo não passam de saudades. Talvez do que nunca foi por não poder ter sido. De estar num emaranhado de sentimentos sem entender seu real significado. Pois é, hoje tudo tem perfume de novo.

Na minha frente há um espelho, e do reflexo que vejo, não há sequer um resquício de certeza. Eu me somo em pares. Desses pares surge uma matemática maluca, que como um soco na boca do estômago me mostra que tudo poderia ter sido diferente.

Ando de disfarces. Disfarçada de mim mesma. Não sei mais ter opinião. Eu sempre achei que tivesse. O que eu possuía de mais meu, as vezes sinto que não mais existe. Talvez tenha escapado como água, por entre os dedos. Talvez tenha secado. Talvez nunca tenha existido.

O amor respira por aparelhos. Anda estável. E isso me faz ter saudades das fotos antigas, guardadas naquela gaveta embaixo da cama. Aquelas das quais achava que sabia de tudo. Eu nunca soube.

Me olho no espelho. Esse reflexo raro. Não brilha. Não espera brilhar. Está preso na garganta que arranha. Cores estreitas, frias. São saudades, de momentos saudáveis. Sem explicação. Apenas cores...

Uma menina que se colore com seus sorrisos.

A menina que troca um olhar turvo, por braços longos.



Como disse por ai, a vida é um caralho fino.

10.11.08

.realismo convincente.



Para acompanhar:
' clique aqui '


'Eu quero ser você.
Eu preciso sair daqui.
Eu preciso parar de mentir. 
Eu preciso salvar o mundo.
Mesmo que eu não ganhe nada com isso, não.
Eu vou tentar, vou tentar, vou tentar. 
Mesmo que eu não ganhe nada com isso, eu vou tentar.
Vou tentar, vou tentar.
Mesmo que eu não ganhe nada com isso, não.
Tô te explicando pra te confundir. 
Tô te confundindo pra esclarecer. 
Tô iluminado pra poder cegar. 
Tô ficando cego pra poder guiar '


5.11.08

.pensando com meus botões.

Hoje de manhã acordei com a notícia de que Barack Obama havia sido eleito o presidente de uma das maiores potências do mundo, senão a maior. O mundo hoje, só fala nisso. Vindo pro trabalho, vi duas pessoas na rua vestindo camisetas com a cara dele estampada. Todos os jornais e revistas das bancas aos quais passei em frente hoje, falavam em Obama. Até a Ana Maria Braga falou nele. Mas o que mais chamou atenção foi o Jornal da manhã da Globo. Eles fizeram uma retrospectiva, contando sua trajetória e no final, enquanto os créditos iam sumindo, apareceram imagens do presidente sorrindo, abraçando pessoas, todo feliz (como todo político), com a trilha sonora de U2 cantando 'Beautiful Day'. Cara, fiquei passada.

Todas essas informções fizeram eu lembrar da minha irmã (seis anos mais velha que eu) contando e tentando me assustar com as histórias sobre o Apocalipse. Lembrei de tentar ler ele com 15 anos e de desistir dois dias depois, de tanto medo que fiquei. Mas onde quero chegar aqui é que, quanto mais vejo e leio notícias sobre o Barack Obama, mais lembro do Apocalipse. E quanto mais eu sinto as pessoa simpatizando-se com ele, penso no anticristo. Porque pelo que eu me lembro do Apocalipse, o anticristo vai ser um cara 'boa pinta', com quem o mundo todo vai simpatizar e adorar: cliquem aquiaqui e aqui.

No apocalipse, que eu me lembre, dizia também que a tal 'besta'  surgiria num momento em que o mundo estivesse mergulhado no caos: ' Oi? ' . Então, as pessoas alimentariam a esperança de que o 'boa pinta' poderia solucionar as coisas:  O quê? '. Quer outro exemplo: no nome, troque o 'b' por 's' ... coincidência?

Eu tenho medo ....