16.12.09

.hoje.

Não é promessa pra novo ano. Não faz parte de nenhuma lista. Faz parte da vontade que brota aqui, bem de dentro do peito. Eu não quero mais guardar tanta tralha assim dentro de mim. Hoje é um dia para botar pra fora, chorar, gritar, escrever, pensar, falar e pedir perdão ... mesmo que ninguém entenda, mesmo que eu me arrependa, mesmo que eu só pulse isso hoje. Mesmo que a vida me dê um tapa na cara e meu rosto fique vermelho.

Hoje é dia de tomar chuva e fazer confundir a lágrima com gota.
Fazer virar orvalho na minha pele.
Hoje é dia de respirar e inspirar.
Fazer o silêncio virar palavra.

...

11.12.09

'Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza.'

Caio F. Abreu (óbvio).

7.12.09

.dos dedos que sentem.

Eu até desejaria escrever mais. Meu corpo pede. Meus dedos sentem ... e a sensação é quase um desespero. Os dedos se contorcem num pânico, parecido com aquele de pessoas que tem fobia por ficarem presos. Como se chama mesmo?

C L A U S T R O F O B I A.

É isso. Essa sensação de estar presa. Dedos atrofiados. É horrivel.
Não sei pra você, mas para as pessoas que sentem necessidade de escrever para não transbordar é mais ou menos essa, sabe?
Se você não consegue me entender, pense por essa forma: do que você precisa, necessita para libertar-se? Quando responder essa pergunta, saberá do fundo do seu íntimo o que sinto neste momento. Mas é como se alguém me empurrasse contra a parede e eu tentasse de qualquer jeito me soltar.

Eu sei lá. Tá tudo tão estranho ... parece que tudo anda, tudo caminha, mas meus olhos estão numa bolha e ela se move mais lento que qualquer coisa ao meu redor. Eu ando no mesmo ritmo que as pessoas, mas meus olhos não acompanham.

Enfim, eu só queria dizer que estou tentando. Por exemplo, este texto tá uma bela merda, mas eu ainda tô aqui, não tô?
E isso me orgulha. Me faz acreditar que ... as coisas vão melhorar. Que os olhos ficarão límpidos novamente.

É doido, mas as coisas mudam tão rápido. Quando você vê a vida já foi, está passando ... o mundo fica girando alucinamente.
O tempo voa e outras 'tantas coisas' permanecem iguais, estáticas e incondicionais.
Feito um membro do corpo que muitas vezes só vem a crescer ...

Olha só, que lhe fique claro uma coisa, eu nunca disse que queria entender. Nada. Mesmo.
Acho que é exatamente por isso Deus me fez assim ... pra só sentir e sentir.

E eu sinto. É o que me resta.

2.12.09

"Minhas feridas estavam cicatrizando. Podia agüentar um pouco de sombra. Imagine se eu pudesse pular abismos para sempre. Talvez depois de um descanso eu pudesse me jogar outra vez da beirada. Talvez. Eu pensava: dê um tempo. Tente se sentir melhor. O mundo inteiro é um saco de merdas se rasgando. Não posso salvá-lo. Sei que nos movemos em direção à miragem, nossas vidas são desperdiçadas, como as de todo mundo. Eu sabia que nove décimos de mim já havia morrido, mas eu guardava o décimo restante como uma arma."

Bukowski

30.11.09

é mais dificil ainda quando você vê alguém tão feliz e esse alguém não precisa estar do seu lado para sentir-se assim.

... eu nunca tinha visto-o tão feliz.
tão sorridente.
com os olhos tão brilhantes.

nem naquela tarde de mãos que não se desgrudavam.


e ai tudo ficou mudo. silencioso. um pouco triste.

e eu tentei disfarçar. tentei sorrir. dei um abraço e achei melhor ir embora.

decidi não encarar dessa vez. talvez assim doa menos.

foi bom te ver feliz. como nunca lhe fiz antes e nem depois.

...

31.10.09

.a música diz, o que os meus dedos não conseguem mais escrever.




A gente cresce e aprende junto. É assim que tem que ser ...

28.9.09

"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total."

(C.F.A)

17.9.09

.perguntas.

Deus, porque me fizeste uma pessoa ciumenta?

Deus, porque existem mulheres que não sabem falar decentemente com um cara que JÁ tem namorada?

Deus, porque existem pessoas que não se tocam?

Deus, porque algumas pessoas são 'abertas' demais?

Deus, porque a intimidade é uma grande merda?

Deus, porque as pessoas confundem as coisas?

Deus, porque as pessoas se irritam com coisas que não se dirigem a elas?

Deus, porque as pessoas se ofendem com qualquer besteira?

Deus, porque eu nasci sobre o signo de escorpião?

Deus, porque as vezes eu tenho vontade de matar? (HAHAHAHAHA)

Deus, porque você não as mata por mim? (HAHAHAHAHAHA 2)

Deus, porque as vezes eu tenho vontade de mandar todo mundo para PUTAQUEOPARIU?

Deus, porque certas mulheres ignoram o fato do seu NAMORADO, 'oi?' ter uma NAMORADA?

Deus, porque essas tais mulheres não se colocam no meu lugar?

Deus, isso chama-se insegurança? Ou desconfiança? Ou os dois? Ou nenhum deles?!

Deus, porque meu namorado vai ler isso e achar uma grande bobagem?

Deus, porque meu namorado vai ler isso, achar uma grande bobagem e fingir que não é nada disso e achar que eu estou exagerando?

Deus, porque eu acho que se fizer um escândalo vão me chamar de louca?

Deus, porque eu me importo?

Deus, me tira daqui, desse ciúme lamaçento?

Deus, será que meu namorado ou as piriguetes que o 'perseguem' vão ficar chetados se eu fizer o mesmo?

Deus, será que as piriguetes que o 'perseguem' vão ler isso daqui e dar risada da minha cara depois?

Deus, será que causarei um mal-entendido?

Deus, tô me achando ridícula agora, porque?

Deus, eu quero que tudo isso se foda. É normal?! (HAHAHAHAHAHA 3)

Deus, porque eu?

Deus ... ei, Deus! Porque você nunca me escuta? Ou melhor, me responde?


...


Porque eu nunca me escuto. rs

8.9.09

.dos nossos dias.

Toda semana se inicia uma nova contagem, daquelas regressivas mesmo:
Domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado ... domingo.
O nosso domingo. O único dia que é nosso.

Aquele dia em que acordamos juntinhos, abraçados. Olho no olho.
Você me diz bom dia e fica se enrolando no cobertor comigo.
O sol entra pela janela, você me dá um beijo e me chama pra tomar café da manhã contigo. Manhã nada. Já é quase meio-dia. Mas a gente não liga. Você passa a manteiga no pão pra mim e prepara meu café. Sim, com pouco leite. Você já sabe.

Das nossas promessas de sábado para domingo, a que eu sempre me arrependo de não conseguir fazer é a de andar de bike contigo, lá no Ibirapuera. Mas você há de concordar, não é nem pelo acordar cedo ... mas a dificuldade de levantar daquela cama de solteiro, estando com você, chega a ser um absurdo. E a culpa não é totalmente minha, vai. Você tem lá suas porcentagens. Desligar o despertador quando ele toca é uma delas.

E ai acontece, ou melhor não acontece.

O cronograma no bloco de notas das exposições que queríamos ver é deixada pra trás, o cineminha depois do almoço, a cervejinha com os amigos, a minha volta pra casa. Tudo isso porque a gente não consegue se desgrudar no domingo (ou seria todos os dias?). Será que a culpa é dele afinal? Não sei, o que sei é que sempre fica tarde demais. Então eu volto a me deitar. Me dá aquela preguicinha matinal/'domingal'. E você senta naquela sua cadeira de frente pro computador e me mostra as novidades do mundo internético, depois lê o jornal. Todo ele. E eu peço o caderno feminino e todas as baboseiras que vem com ele.
E discutimos ideias. E eu adoro todas elas. E vamos ficando com preguiça, as horas vão passando e quando eu vejo metade do nosso (só nosso) domingo já tinha ido embora. Você queria ter ido as exposições e eu ao cinema. Você queria ter ido ao Ibirapuera e eu tomar sorvete. Fazer todas essas coisas sem pressa, exatamente como fazemos ao acordar. Mas nós sempre 'perdemos'.

Mas a beleza disso tudo (já que você me ensinou a enxergar beleza em todas as coisas) é que na tentativa de encontrar um caminho pra essas nossas 'perdas', nós chegamos ás estrelas mais altas e assim podemos andar pelas nuvens mais macias, que mais parecem os lençóis da nossa cama de solteiro.

Aaahh o domingo, aquele nosso (só nosso e junto) domingo.

20.8.09

.das vontades de quase sempre.

Alguém por ai sabe se é possível tornar-se invisível?!

Agradeço desde já.

Atenciosamente,

Mila.

12.8.09

.dos passeios por blogs alheios (3).

A relação entre o tempo, a qualidade e a criatividade

- Mas quem é o Chico Buarque de hoje em dia? – me perguntou um gringo.
Isso faz uma semana, e eu ainda estou em silêncio.

O silêncio me fez pensar que talvez desde que inventaram o ‘Delete’ a inspiração acabou. No entanto, a borracha existe desde sempre. Só que dava mais trabalho apagar, então o rascunho já tinha que ser bom. Depois pensei que não. Talvez o tempo dedicado `as coisas fosse diferente.

Estou ouvindo Abbey Road agora. Gosto desse disco porque é a prova de que Deus existe. Quem não acredita em Deus nunca ouviu as últimas faixas de Abbey Road. Deus dentro de cada um dos homenzinhos que habitam esse planeta. No caso, eram quatro deles que, na hora certa, no lugar certo, resolveram canalizar o melhor de si num propósito comum através do tempo. Quantas horas por dia os Beatles passavam dentro do estúdio? E quantas horas pensando em bobagem? Quantos livros eram lidos na vida de um artista antes e quantos hoje?

O quanto a situação política de um país influencia a criatividade de um poeta? E a situação financeira do mesmo? Dinheiro é um estímulo legítimo? Isso determina a qualidade? Talvez sim, apesar de existirem cineastas e músicos de família rica que fazem obras profundas. Então a resposta é não.

Agora penso que o propósito de se fazer algo e maneira como se lida com o tempo são as coisas mais importantes. Isso tem a ver com maturidade e clareza. Uma fruta demora tempo para ficar madura, cair do pé e gerar outra árvore. Uma pessoa madura é mais livre porque se desprende do pé e gera o que quiser. A pessoa madura percebe que é ela mesma a responsável pela sua trajetória. E se ela tem o propósito certo… é só usar o tempo a favor dela. Por que exatamente se faz algo? Para agradar a quem? Se for a si mesmo, todas as respostas resultantes do trabalho serão um grande sim.

O ‘Enter’ facilitou bastante a vida da nossa geração inteira, mas ao mesmo tempo, criou a ilusão de que tudo se resolve apertando um botão. Criatividade, soluções, relacionamento, auto-imagem, perfeição. Já diz o velho ditado: a criação é “99% transpiração e 1% inspiração”. Nossa geração desorientou o tempo natural das coisas para o bem e para o mal. A velocidade com que se pode alcançar as informações é muito maior hoje, assim como a ansiedade de se resolver tudo num estalar de dedos. E a maioria das coisas, infelizmente, não respondem a um comando elétrico.

Talvez esse seja um grande desafio para quem é jovem hoje. Como usar melhor o tempo e todas essas possibilidades sem fim que estão a disposição? Será que a gente consegue escolher o que ver, o que ler, o que ouvir para que isso contribua para a nossa vida de um jeito legal?


Blog da Luisa: http://mtv.uol.com.br/blogdaluisa/


Quando eu canso de falar, escrever, pensar, deixo que os outros (os bons outros) façam por mim ...

23.7.09

.as vezes eu só quero dizer que.


Pode ter certeza que eu não escrevo pra ninguém, ainda que pra você soe que sim. Pra mim as palavras surgem sempre de algo que me incomodou, de alguma pedra que me atiraram, de algum olhar que eu não gostei ou de alguma carapuça que me serviu.

Algumas pessoas podem achar que sim, mas eu nunca quis me parecer com ninguém, mesmo que eu admire muito uma pessoa, ou lembre outrém. Minha personalidade forte sempre exigiu que eu me parecesse comigo mesma e a minha liberdade luta por isso. Meu reflexo no espelho agradece.

Tem gente por ai que troca uns centavos pra me pegar mentindo, mas eu nunca quis meu cabelo parecido com o de ninguém, por isso que nunca tive a coragem de cortá-lo radicalmente, tingí-lo estranhamente ou de ter feito alguma outra 'cagada' bizarrenta só pra parecer com alguma pessoa. Hoje me dou muito bem com ele ondulado do jeito que é. Preto do jeito que é. Mais de mim mesma, do jeito que deve ser.

Você me olha e diz que não, mas eu nunca gostei de seguir tendências de moda. Nunca quis ficar parecidinha com 'minhas amiguinhas', do 'meu mundinho escrotinho'. Nunca foi muito minha cara parecer 'moderninha' demais, 'surfistinha' demais, 'caretinha' demais, 'chatinha' demais, mesmo que tenha trocado o all-star por um sapato de salto alto em algumas noites por ai.

Nunca me deu vontade de parecer além do mais que eu já sou. Porque eu sou e pronto. Não tem essa de: 'Olha, eu tenho isso e você não tem'. O problema de algumas pessoas é que elas enxergam crescimento nos valores materiais (apesar de elas jurarem que não), e não é só isso. Não é. Que adianta crescer materialmente e continuar transparecendo a merdinha que você sempre foi espiritualmente?

Eu sempre tento conter as palavras que pipocam durante várias noites de pensamentos incontroláveis, de descobertas incalculáveis, mas aí eles aparecem e a gente chega a conclusão de que o ser humano tem como ponto de partida o próprio umbigo, e sempre acha que o mundo dos outros gira em torno dele mesmo. Já reparou nisso? E daí, as vezes, bem as vezes, não dá pra conter tudo dentro de si. Me sobra então - a parte de que ninguém tem coragem - jogar palavras diretas ao vento e esperar que chegue aos ouvidos alheios, sabe como é né?! Nunca fui uma boa desenhista ...

E sabe quando sabemos que vencemos? Quando sabemos que essas pessoas (porque existem milhares delas) viraram piadas no nosso cotidiano.

Simples assim ...

Beijoenãomebipanemmeseguenotwitter-tchau.

15.7.09

.keep me in mind.



Porque eles chegam em Agosto! \o/

30.6.09

.das dúvidas cruéis.

e as vezes sobra muito dentro dela. e não sabe o que fazer com isso tudo. com essa sobra. e não sabe o que fazer com as palavras, que ficam grudadas na lingua. e com os sentimentos guardados? e com as vontades que suam pela pele ... o que fazer com elas? Ela não sabe, coitada. Coitadinha.

não sabe o que fazer consigo mesma. com os gestos (in)voluntários, com o coração que palpita, com a boca que molha a cada beijo. com os olhos que piscam, atrás de algo ... que também não sabe o que é. e a luz vem e cega. Ai meu Deus, o que fazer? - pergunta ela.

... transforme em sonhos, ele responde.

e ai ela sonha. e ai ela pensa. e ai vai somando pra si ... coisas. pequenas, grandes, médias ... soma. e ai pesa, transborda. e engole sapos. e a barriga vira brejo ... e então sobra novamente. ai meu Deus! - reza ela.

então decide tranformar em lágrima. ai chora, desafoga. sente falta. liberta-se. lembra-se e sorri, assim fácil ... e vive. convive. e abre a janela. e fecha uma porta. e escreve, lê. e pensa novamente. e vai vivendo em círculos. em pontilhados. em reticências ...

continua sobrando. continua não sabendo o que fazer. coitada dela. coitadinha. 'ao menos vive' - diz o seu reflexo.

24.6.09

.sometimes I just need someone who will listen to me and nothing else.

18.6.09

.um pouco de mim, aos poucos. (pt.2)

não gosto de sair de casa em dia de calor, aliás acho que não gosto de fazer nada quando está muito calor. amo frio, apesar de reclamar dele. a fase da balada todo final de semana, passou. não entendo as pessoas que continuam nessa. muita gente me irrita. tenho uma colega que é o melhor exemplo disso. detesto gente que exagera na mentira. não bebo mais como antes. não suporto o cheiro de cigarro, mas ainda tenho vontade de fumar. amo batata, de todas as maneiras, menos pão de batata. a fruta que mais detesto, mas que mais como é o mamão. e a que mais amo e menos como é o morango, sim, eu também não entendo o porque.


sou irritada, nervosinha, falo palavrões o tempo inteiro e não sei dizer 'não' pra quem eu gosto. sou grossa, muitas vezes com quem não devo. fico envergonhada quando as pessoas falam alto demais, em lugares públicos, pois não sei como pedir pra elas falarem mais baixo. detesto qualquer maneira de 'xavecos' e se eu tivesse uma arma, mataria todos que insistem com isso. também me acho boazinha demais de vez em quando, chega a dar raiva. perdôo quantas vezes forem necessárias, mas não se assuste caso um dia, sem dar as explicações devidas, eu simplesmente pare de olhar pra sua cara. sou bem educada, é o 'bem' que meus pais me deram que mais prezo, sempre.


detesto gente que muda o que é a cada mês ou a cada namorado que arranja. acho 'booooring' gente muito moderninha, que fala que nem viado, se veste como nos anos 80 e acha que tá deslumbrante. tenho tédio de 'seguidores da moda' sejam eles em qualquer ocasião. não suporto quando as pessoas metem o pau em São Paulo, mas continuam morando por aqui. gente que não dá valor pro lugar onde mora, é irritante.


acho super estranho gente que não come chocolate. de amargo já basta a vida, né? morro de orgulho e uma certa e pequena inveja de quem consegue largar tudo e ir prum lugar bem longe, sem conhecer ninguém. me passa liberdade e pessoas que me passam essa sensação geralmente me emocionam.

(continua ...)

9.6.09

.alguns sonhos são como algodão.

E num dia frio e cinzento como hoje acabei descobrindo, numa conversa com uma amiga, de que ainda existem sonhos em mim ... então resolvi escrevê-los aqui só pra eu não esquecer de que um dia:

1) eu preciso ir nesse lugar e comer esse doce de tapioca: .Obá.

2) eu quero ser uma colaboradora ativa dessa revista: .+Soma.

3) eu gostaria de ser proprietária de um lugar parecido com esse: .Casa Tua. ou esse .Dita Cabrita.

4) eu queria saber fazer isso: .Cupcakes.

5) eu vou ser muito boa com ela: .Canon 1000D.

6) eu vou morar por aqui: .Av. Paulista.

7) eu casarei com ele: .Leo.

8) conquistarei minhas coisas que nem ela consegue conquistar as dela: .Bruh.

9) saberei somar as palavras como ela: .Bá.

E por ai vai ... prometo que aos poucos vou colocando aqui (para não me esquecer) os outros sonhos que possam vir a aparecer.

Grata a mim mesma.

4.6.09

um pouco de mim, aos poucos. (pt.1)

eu sou do tipo 8 ou 8 mesmo. ok, as vezes ... beeem as vezes sou 80. sou complexa. na minha cabeça existem milhões de coisas funcionando ao mesmo tempo (mais do que o normal). e eu nunca conseguiria meditar. quando eu digo nunca, quase nunca é nunca de verdade.

sou briguenta. eu vivia saindo no tapa com qualquer pessoa que cometesse uma injustiça ou criticasse algo que gosto muito. na oitava série, por exemplo, bati em dois moleques porque eles falaram mal de uma banda que eu amava. eu quase nunca me arrependo, e quando isso acontecesse, não dou muita importância. brigo por quem eu amo, brigo porque odeio termos pejorativos, brigo por causa de preconceito, brigo por intolerancia. sou intolerante.

odeio baratas e esse é o fato que mais me aproxima do 'ser mulherzinha' que dizem por ai. odeio quando a minha mãe abre minhas correspondências. detesto quando meu pai bebe e diz coisa que não deve. amo os dois incondicionalmente, e tô pra ver nesse mundo pessoas mais incríveis do que eles. tenho cíumes da minha irmã, acho que todas as pessoas no mundo preferem ela do que a mim. acho que todas essas pessoas tem razão. eu amo quando estamos juntas, pois nós rimos de tudo, brigamos o tempo inteiro, somos opostos, somos companheiras, sempre. eu também mataria, se fosse preciso, por ela.

acho super estranho quando alguns evangélicos dizem que devemos amar Deus acima de todas as coisas, as vezes penso que ele deve ser um pouco egoísta se concorda com isso, mas aí no mesmo instante acho melhor não questioná-lo.



(... continua)



27.5.09

.dos tempos corridos.

... e lá fora cai o mundo em água.
aproveita pra limpar a alma dos que estão fora de casa, fora de si, fora do 'de dentro', sejam os que estão cobertos ou não.

quando você sente-se só e parece que até a fé se abala.
o reflexo no espelho é turvo e as palavras mal faladas e escritas.
você parece frágil e na rua lhe apontam os dedos.
então as gotas descem na maior clareza possível, do mais simples e legível contorno.

quando o coração pesa e dói. você olha pela janela e vê as gotas de chuva caindo e então elas lhe mostram o melhor dos casos e acasos. e nessas gotas aparecem pessoas que lhe permitem ser exatamente como você é. ai tudo fica belo, poético e o coração palpita forte novamente.

quando você deseja que as coisas fiquem mais tranquilas, mas você simplesmente não consegue enxergar como fazer isso. é nessa hora que as gotas de chuva aparecem e conseguem molhar lugares que nem os pensamentos chegam. é aí que tudo clareia e vira prece.

deve ser assim quando as lágrimas pesam. quando chove, como agora, ou quando o céu fica nublado, como hoje pela manhã.
É ... deve ser assim.

Ainda bem que depois da tempestade, vem o sol ... e com eles os sonhos feitos de nuvens.

... ainda bem.

22.5.09

15.5.09

.eu sou, eu sou, eu sou.

(...) se sentia de propósito culpada e rezava mecanicamente três ave-marias, amém, amém, amém. Rezava mas sem Deus, ela não sabia quem era Ele e portanto Ele não existia.

(...) Dava-se melhor com um irreal cotidiano, vivia em câmera leeeenta, lebre puuuuuulando no aaaar sobre os ooooooouteiros, o vago era o seu mundo terrestre, o vago era o de dentro da natureza.

E achava bom ficar triste. Não desesperada, pois isso nunca ficara já que era tão modesta e simples mas aquela coisa indefinível como se ela fosse romântica. Claro que era neurótica, não há sequer necessidade de dizer. Era uma neurose que a sustentava, meu Deus, pelo menos isso: muletas. Vez por outra ia para a Zona Sul e ficava olhando as vitrines faiscantes de jóias e roupas acetinadas - só para se mortificar um pouco. É que ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco, é um encontro.

Clarice Lispector - A Hora da Estrela, porque as vezes a gente se sente meio Macabéa e por vezes se sente Rodrigo. Porque quase sempre a gente escreve pra ser compreendido. Porque as vezes só quando 'morremos' percebemos que estamos vivos. Porque as vezes a morte é a hora da estrela. E porque quase sempre sentimos que não há tanto lugar no espaço para acolher estrelas como essas.

11.5.09

.dentro e fora dos sonhos.

eu tive um pesadelo essa madrugada. acordei de súbito, assustada, parecia que suava. e de repente ouvi uma voz me perguntando baixinho, assim no ouvidinho: o que aconteceu? - e ao abrir meus olhos por um segundo, quase que no escuro, percebi que estava ao meu lado, segurando minhas mãos, o melhor dos sonhos que já tive acordada.




... obrigada Leo.

7.5.09

.dos passeios por blogs alheios (2).

14/11/2007 - Escrito por ' .ciola. '

queria aprender a voar,

aí eu pensei,

pensei,

pensei.


eu conclui: não dá pra voar.

se voasse em casa não ia adiantar de nada porque o teto é muito baixo. se voasse no jardim, os vizinhos iam ver e querer botar fogo na casa ou então chamar pra algum programa sensacionalista. se tentasse voar na reunião do mpl iam querer cooptar meu vôo pra uma causa revolucionária, ou provavelmente iam reclamar que eu fico voando ao invés de acompanhar a reunião. se voasse na faculdade iam cancelar minha matrícula, me transformar em fenômeno e me mandariam pra algum laboratório. se voasse no buteco iam começar a tacar coisas em mim.

por isso eu digo: não dá pra voar.

-------------------------------------------------

Eu definitivamente aprecio minhas visitas a blogs alheios. Não é sempre que encontramos coisas boas por ai. Na verdade hoje é muito mais fácil fazer biquinho e ter limite de 140 caracteres pra escrever. rs

-------------------------------------------------

Eu não voei ... mas deu uma certa vontade.

4.5.09

.alguns sentidos, absurdos.

Gosto ruim na boca, certa indigestão causada por mastigação incorreta de palavras. Palavras que não foram ditas por mim, mas que engoli como se fossem. Já é quase de praxe ... sempre permito que aconteça, talvez esteja ai a explicação para tal dor de estômago que amplia-se para uma gastrite nervosa.
Olho em volta e algumas coisas encontram-se turvas, como se precisasse de óculos. Talvez precise realmente ... ou quem sabe se eu começasse a olhar por outros ângulos, existem milhares deles por ai e todos fazem isso, não é mesmo? Estes mesmos lados, serão eles os culpados? Afinal, porque nos importamos tanto com o olhar dos outros? Porque não aceitamos simplesmente o fato de que a vida é essa mesmo. A gente faz cagada e nem sempre podemos consertar, ou melhor, os outros (também) cometem muitas cagadas, não enxergam a própria merda em que estão e acabam virando o jogo, para que nós pensemos o contrário, para começarmos a avaliar realmente se o que fizemos foi correto. Quanto egocentrismo minha gente.
Nessas horas em que resolvo tocar meus dedos nesses teclados sinto a liberdade passando por entre eles. Nem sempre consigo expressar o que quero. Mas é assim mesmo. Sempre será. Minha cabeça é cheia de coisas, idéias, pensamentos, palavras ... que se não solto, me afogam. Quase um sacrifício de mim mesma. Um suicídio. Se não solto, mato-me e morro, com sede de quero mais. Um dia meu namorado disse que não entende certos textos meus, eu não fiquei brava, nem chateada, nem algo do tipo ... fiquei pensando naquilo e não parei mais. Quer dizer, nem eu mesma me entendo e não espero que façam o mesmo. Nem que consigam me entender ... afinal, quem se entende de verdade, ou melhor, quem se entenderá pra sempre?
Esses dias estava pensando no círculo de amizades que eu tinha, isso mesmo ... tinha, e comecei a lembrar de todas as pessoas que passaram na minha vida. Á todas aquelas que disse um 'pra sempre', um 'melhor amiga', um 'melhor namorado', 'um melhor momento da minha vida' e não me arrependo de nada. De nenhum deles. Claro, me arrependo ou me chateio pelo rumo que tudo se deu. É triste pensar num finito, quando pra gente existe o simples infinito, mas olha só, ele existe e é palpável. O que eu quero dizer a falar dos meus ex-amigos (caramba, isso existe) é que foi aquela coisa que o Vinicius falava: "Que não seja imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure...". Eu nunca esqueci dos momentos bons que meus ex-amigos participaram comigo, nem faço (com o maior esforço do mundo) com que os momentos ruins, estraguem os bons, mas á mim é necessário o apagamento deles da minha vida. Não é por mal, sabe? Mas eu simplesmente não consigo lutar pelo papel 'principal', que a maioria deles insiste em ter que é o de dizer um monte de merda por ai, esses tais papéis de vítima. Tem gente que nasceu pra isso. Eu já tentei milhares de vezes interpretá-lo, mas não adianta, é mais forte que eu. E vai totalmente contra meus princípios. Mas veja bem, eu não corto isso deles. Afinal eles tem tal direito, mas é por isso que permanecerão sempre na pilha de 'ex' coisas. Á mim sobra o papel da megera ... da morena malvada. Tudo bem, eu respeito o título que é me dado, as vezes, na maioria deles, não concordo, mas decoro o texto, subo ao palco e interpreto melhor que ninguém. Melhor que você.
Sabe, existe um fator engraçado nisso tudo, pensando nessa questão de sentidos, existe a constatação de que a dor de garganta nos obriga a falar menos, e assim ironicamente, a dor de ouvido não te impede de ouvir o monte de besteiras usuais, como essas minhas palavras ou as milhares que leio por ai.

O que me sobra é a certeza de que um dia, quem sabe, encontrarão algumas fotos e cartões-postais numa caixa de madeira velha, escondida debaixo da cama, aquela da qual sempre falo. Venho por anos guardando coisas ali. E um dia encontrarão muitas restos de mim, em papéis, anotações e palavras bobas, gastas á toa.

Além de me sentir plena, fique sabendo que em nenhum momento me culpo por continuar carregando certas lembranças na minha vida, elas fazem parte de mim e ajudam sempre a me tornar quem sou hoje, com um pequeno detalhe de que elas ficam guardadas de um lado onde hoje já não faz a menor diferença que certas pessoas já existiram.

24.4.09

.das discussões em blogs alheios.

O tema era sobre o novo curso de Ciências Socias na Uninove e sobre o que Florestan Fernandes acharia sobre isso. O texto fala sobre as pessoas que se interessaram pelo curso, sobre quem era e o que fez Florestan Fernandes e também sobre faculdades que pipocam por ai. Interessou-se?! Leia aqui:
' http://xicradecafe.blogspot.com/2009/03/sobre-o-curso-de-ciencias-sociais-na.html ', mas o que me chamou mais atenção foram os comentários, seguem eles abaixo:

  • .lucas disse...
    entendo o que diz, mas talvez esses 24 candidatos são pessoas que não podem pagar uma puc, fespsp ou simplesmente não conseguem entrar na usp, unicamp... não podemos pré-julgar... sei que nem é essa a questão, mas penso assim, se a faculdade custa $99 ou $1999 não importa, o ensino é privado do mesmo jeito. obviamente a tradição da fespsp e da puc contam muito e fazem toda a diferença, mas... é privado.
  • [denise abramo] disse...
    exatamente. é privado, sendo que devia ser público.lucas, não estou pré-julgando ninguém... só pensando em toda essa tragédia... é claro (acho) que uma pessoa que se dispõe a fazer um curso de ciências sociais na uninove não pode pagar uma puc, uma fesp e também não conseguiu entrar na usp. eis a tragédia. os bons cursos não são para os trabalhadores!
  • Taíse disse...
    Acredito que as motivações que levaram essas 24 pessoas a se inscrever no curso de CiSo devem sim ser consideradas, porém, acredito que a questão chave tem a ver com o que motiva uma Faculdade particular a oferecer um curso como o de CiSo por esse preço, já que sabemos da pouca popularidade, apesar do "romantismo alheio" em torno do curso... Penso que seria ótimo se uma Universidade oferecesse um curso de CiSo de qualidade a R$ 99,00 mensais, porém, é quase inaplicável em nossa conjuntura, em que mesmo as públicas têm deixado de lado essa "característica"... Enfim, parece-me que caminhamos para uma "sociedade da supremacia das extatas", ao no que diz respeito à ausência do que pode ser considerado "essencial" nas Ciências Humanas: a capacidade de pensar, criticar e propor uma sociedade diferenciada.
  • [denise abramo] disse...
    pois é, taíse...até onde vai a minha imaginação, o curso de ciências sociais não tem nada a ver com uma universidade shopping-center (com todo o respeito aos que lá estudam), onde o conhecimento é um mero serviço que se compra...os cientistas sociais são em geral uns chatos, que vivem questionando, problematizando, incomodando... pouco úteis ao capitalismo, parece. mas na verdade - fiquei pensando no seu comentário - eu vejo assim por ter uma visão meio romântica da coisa toda.as ciências sociais podem ser usadas pelo sistema DA MESMA FORMA que qualquer outra carreira (veja todos os serviços prestados pelo colega FHC à democracia dos ricos nesse país).e digo mais, os cientistas sociais que mais tem espaço são mesmo os que se adaptam ao status quo, que fazem o servicinho sujo de pensar pela burguesia.vida lôka.
  • [denise abramo] disse...
    ensaio de conclusão:então um curso de ciências sociais na UNINOVE não é tão absurdo assim. só parece. porque na verdade os cientistas sociais da PUC ou da USP podem ser tão tecnicistas e burocratas, reprodutores da ideologia dominante, do que os da UNINOVE. com a diferença de que os da UNINOVE não ficarão a tarde inteira tocando violão e fumando maconha no pátio, porque trabalham...=)
  • Rafa disse...
    sem mais... concordo com o último post da denise.
  • Tempos Modernos disse...
    Oi Dona Xicra,Concordo contigo, menina. Na PUC ou na USP, há muitos professores que apenas reproduzem a ideologia da dominação burguesa.Florestan colocou as coisas mais ou menos assim: existem aqueles que são contra o povo, e são aliados de seus exploradores. E os que defendem os interesses do povo, e colocam-se ao seu lado, na luta contra os exploradores. Enquanto não houver democracia nas universidades (em todas elas), as coisas não mudarão.Pedro.

Pois é, eu sempre fico na dúvida em relação a esses assuntos, nunca consigo compreender o que cada um pensa a respeito. Quer dizer, é sempre muito contraditório, não?! Se eu fizesse Uninove sofreria críticas de quase todas as pessoas que conheço, como sempre acontece quando comento que vou prestar essa faculdade ou similares. Se fizesse Puc também sofreria, mas em compensação seriam críticas com sabor de chocolate meio-amargo, já que são faculdades consideradas de 'alto nível', mesmo sendo particulares. E olha que eu já sofro demais por não fazer nenhuma. rs Na maioria das vezes as pessoas me perguntam: 'Eai, qual faculdade vocês fez/faz?!' e eu sempre respondo: 'Pô, eu não fiz/faço nenhuma.' (não porque não quero, pelo contrário) e então a pessoa me olha com aquela cara de espanto, sabe?Existem milhares de faculdades por ai, eu sei disso, mas conversando com as pessoas acabo sempre ficando na dúvida. Usp é sem chance, já descartei faz tempo ...

Um dia desses fui na Bienal de Design Gráfico, que está acontecendo no Centro Cultural São Paulo, com meu namorado e uma amiga dele (eles estudam no Mackenzie). Depois de olhar os trabalhos e tirar algumas fotos, comecei a conversar com essa amiga, falávamos sobre vestibular, faculdades e em certo momento ela disse: 'Hum, eu nunca havia entrado aqui no CCSP, mas esse lugar não me é estranho. Quando prestei vestibular pra usp/puc/unesp/vunesp/mackenzie (sei lá quais, mas todas 'importantes') foi numa dessas faculdadezinhas. Aah foi naquela ali' - e apontou pra Uninove. E eu disse: 'Aah tá, legal.' Ela continuou: 'Nossa, olha o tamanho desse prédio.' Eu disse: 'É mesmo, grande né? E bonito também.' E então ela disse: 'É. Pena que a faculdade é uma merda!' ... quer dizer, a garota fez cursinho (me parece bastante inteligente), estudou pra caramba, prestou milhares de faculdades públicas, passou em algumas dessas e no final escolheu fazer mackenzie. Veja bem, eu não estou criticando o Mackenzie, porque é sim uma faculdade ótima, de renome, com bibliotecas incríveis e com uma estrutura espetacular (e seu eu pudesse estudaria lá sim), mas eu conheço uns três professores que dão aula lá, que também dão na Uninove. rs A diferença dessas faculdades são o que? Os alunos que estudam nela? Tipo, não vou fazer Unip, Uninove, porque qualquer um passa, mas vou fazer Puc, Mackenzie, Cásper porque apesar de não ser tão dificil passar no vestibular, pelo menos as pessoas se vestem melhor, ou a mensalidade custa 200 reais a mais e isso 'valorizando' a faculdade?!

(????)

Meu namorado, como eu disse, estuda no Mackenzie. Ele é um cara mega inteligente, interessado, esforçado, que tenta, que quer e que será um ótimo publicitário, e não digo isso pelo simples fato dele ser MEU namorado mas porque eu vejo nele o interesse de ser um aluno de verdade, sabe? Ele não está ali pra brincar, pra ir beber num boteco na esquina, ele está ali pra questionar, entender, estudar, saber, dar sua opnião, e eu quase não vejo isso em outros estudantes, até porque ele não é milionário e não tá gastando o dinheiro do papai á toa, ele paga a faculdade, trabalha e é bolsista, nessas condições não dá pra brincar, né? Mas eu sempre vejo milhares de universitários que estão ali por simplesmente estar. Claro que é importante você curtir, sair com os amigos, mas existem momentos pra isso. Uma vez vi um documentário sobre o curso de design que questionava justamente isso, a falta de interesse dos alunos/professores e muito mais das instituições, que sim, são falhas.

No texto do blog .xicradecafe. a moça se refere a essas faculdades, Uninove e afins, como faculdades 'shoppingcenters', mas eu sempre dou uma passada no Mackenzie pra ver meu namorado e não consigo ver nenhuma diferença entre ela e a Uninove. rs

Na Belas Artes então, é estrondoso. Uma amiga minha estuda lá e ela diz que as meninas não repetem as roupas na semana e ela as vezes se sente envergonhada por causa disso. Outra amiga também estuda lá e sofre preconceito com as colegas de classe porque não tem os mesmos padrões que elas. Hahaha, não entendo, mesmo.

Seguindo mais alguns exemplos:

Minha prima estudou na Faculdade Sumaré ... alguém conhece?! Pois é, quase ninguém. rs É uma faculdade pequena, que é facílima de passar e com mensalidades de até $99 reais. Já ouvi muita gente dizer que é uma faculdade ruim, que não traz retorno nenhum, mas olha só, ela se formou, passou no processo seletivo da Porto Seguro, ganha mais de dois mil e quinhentos reais por mês (+ benefícios) e em um ano e meio comprou um carro, e logo mais dará entrada no apêzinho dela. (Y) Detalhe: ela ama o que faz, tem prestígio na empresa e grandes chances de conseguir um cargo melhor e em pouco tempo.

Conheço outro amigo que começou a estudar jornalismo na Unip, concluiu o curso feliz da vida, com a certeza de que iria conseguir trabalhar na área e recebeu milhares de 'nãos' simplesmente por ter se formado na Unip. Isso é triste .... muito triste. Inclusive os professores na faculdade diziam que as chances deles eram poucas, mas que se gostavam e queriam de verdade, pra continuar tentando porque um dia eles conseguiriam. E foi o que ele fez ... construiu seu próprio negócio. É dono de uma revista que fala sobre automóveis e está com um projeto novo, que é a distribuição de um jornal gratuito para universitários, o legal dele é que além de deixar todos informados sobre coisas legais que acontecem na cidade ele também dá a oportunidade de TODOS participarem, inclusive eu que não faço faculdade. Legal, né?

Claro que conheço estórias de pessoas que não conseguiram trabalhar na área por causa da faculdade em que se formou (não só por causa disso), mas essas são a maioria e eu queria muito falar sobre minorias aqui.

Eu entendo que algumas instituições fazem a diferença no currículo, e que algumas empresas só contraram pessoas que fizeram TAL faculdade. Esses dias estava conversando com um amigo, que veio de Recife tentar a vida por aqui, sobre esse assunto e ele me disse que várias pessoas disseram pra ele nem pensar em cursar a Unip porque os caras nem chegam a olhar o currículo quando descobrem que a pessoa se formou numa dessas faculdades 'mixurucas'. E ele se mostrou totalmente indignado, óbvio. Pois pensem bem, isso não é mais uma maneira de continuar com o pré-conceito?! Quer dizer, acredito que tenha um montão de gente interessada, com vontade de estudar, que quer 'ser alguém na vida', mas que infelizmente não tem condições de pagar uma faculdade como a Puc, Mackenzie ou Espm e o que sobra são as faculdades como Uninove, Unip, Fmu. Claro que eu gostaria de fazer uma Cásper ou Puc, mas eu pertenço a classe desfavorecida, sabe? Mas são por essas e outras que acabo ficando com esse receio (idiota!) de cursar uma faculdade com 'precedentes ruins' e acabar sendo mais uma frustrada por simples e mero preconceito.

Daí eu lhe pergunto:

- E agora, José?

... A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? E agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio - e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? ...

[SILÊNCIO]

17.4.09

.dos tipos que aparecem pelos espelhos.

Ando cansada.

Cansada de meus excessos, que transbordam pelos olhos e que caem nos travesseiros. Excessos esses que permeiam meus sonhos, pesadelos, dia e noite. Como um dúvida insistente, procurando respostas em um silêncio visível. Eu li um dia desses, que existe um tipo de gente que ainda acredita nos outros, então percebi que sou uma dessas.Que apesar dos todos, dos tudos e nadas, no fundo do fundo, acredita nos sonhos, no amor, na felicidade, na tristeza, nas lágrimas e muito mais nos sorrisos, sendo eles inteiros ou meios de um meio. Me alegra as brincadeiras, as piadas bobas, o ridículo. Até das fotos turísticas estou repensando os valores. Eu acho que tudo pode sim melhorar da noite para o dia. Daquele tipo que ter as coisas (sejam elas materiais ou não), que quer tocá-las, sentí-las, sê-las. Percebi que sou do tipo que reclama demais, chora demais, fica triste demais, e que mesmo assim tenta driblar o cansaço. Que tenta sorrir a maior parte do tempo, que não conta os minutos, que escreve palavras desconexas e que tenta desviar dos fracassos.

Do tipo que quer e tenta, simples assim, ser ...

15.4.09

.love.love.love.

As pessoas tem sonhos. E sim, eu tenho vários.
Mas alguns sempre considerei inatingíveis.
Um deles era, quem sabe um dia, poder comer um .cupcake. (pra quem não sabe nos e.u.a eles são que nem feijoada aqui no Brasil, arranjam em qlq esquina, rs) e quase não tem aqui no Brasil, até que eu descobri isso:

' http://www.flickr.com/photos/lovecupcakes/sets/72157606630844089/ '

Elas são aqui de Sampa! Iupi ...
Mais um sonho realizado, isso quer dizer ... tô esperando alguém me presentar com um desses. ;)

Rá!

2.4.09

.dos passeios por blogs alheios (1).

As vezes encontramos verdades passeando por ai:

' http://condussao.blogspot.com/2009/03/sobre-o-twitter_6332.html '

Eu nunca gostei muito dessa história de twitter, mas até que pra rir dá pro gasto. rs

1.4.09

.alma.

... isso do medo se acalma.
isso de sede se aplaca.
todo pesar não existe ...




[alma ...]

25.3.09

.vai corinthians.

Pois é, como uma corinthiana roxa que sou, acabei me tornando uma das colunistas do blog .vai corinthians. . Afinal não basta amar, torcer, chorar, brigar com o namorado, xingar seus amigos, sair na porrada ... tem que participar, né?! rs

E eu consegui! Tô participando. ;)

Sim, é pelo time, pela raça, pelo amor que sinto ... mas é também uma vitória pra mim.
Aos olhos de alguns pode sempre parecer pequeno. Uma conquista boba, mas á mim, que vejo tudo do lado de dentro é mais um passo. O caminho começa a ser construído ... e eu começo a dar alguns passos por ele, porque aprendi que cada passo á frente faz com que não nos encontremos mais no mesmo lugar.

Vamo que vamo, galera.

;)

17.3.09

.das coisas dos outros que parecem nossas.

Life's a bitch. - por Tatiana Pinheiro

- Tatiana, você precisa estudar minha filha. Estudar para passar em algum concurso. Preciso morrer tranquila. Você precisa de um bom emprego.

- Mãe, eu não vou estudar para passar em concurso público. Demorei muito tempo para assumir que o que eu realmente amo e quero para a minha vida é escrever. Eu sei que eu cogitei a diplomacia, mas isso foi numa época em que eu não acreditava mais no amor, nas pessoas, em nada. Pouco me importava sumir pelo mundo sozinha. Eu já era completamente sozinha. E não adianta vir com esse seu blá-blá-blá de que eu sou uma idiota, que esse é só mais um namorico qualquer – não gaste o seu latim. Você pode estar certa, mas acho que chega uma época que a gente não aguenta mais tanto egoísmo. Exigir tanto dos outros. Mais um rompimento sem razão, sem sentido. Observar como as pessoas passam de tudo na sua vida para absolutamente nada. Mais uma lovestory perdida. Aquele ciclo maldito. Encher a cara, sexo casual, esquecer do único, da única coisa que importa. Sentir-se completamente vazia. E depois de meses, anos de completa solidão, de completo vazio sair procurando. O único. Um novo amor. Jurar que é para sempre. E não ser.


Mãe, chega uma hora que tem que ser. E é.


- E você acha realmente que agora é?

- A única coisa que eu acho é que eu não aguento mais um. Rompimento. Não aguento mais um rompimento amoroso. Não aguento mais um rompimento comigo mesma. Não aguento mais achar que eu sirvo para alguma coisa para depois perceber que não, que não é dessa forma que eu quero passar o resto da minha vida. Já me questionei demais até saber que o único sentido da minha vida é amar. Eu amo um cara. Ele me ama. Eu amo escrever e as palavras me amam. Isso é tudo que importa.

- Mas os escritores levam isso como um hobbie. Eles têm outras profissões.

- Ahn..quais?

- Não sei, mas quase todos eles têm.

- Bom, eu não sei do que você está falando. Li uma entrevista do Tezza dizendo que até ele ganhar uma grana com a literatura, ele era sustentado pela mulher. O Caio Fernando Abreu até escrevia em jornais, traduzia e tal, mas não acho que isso fuja muito da profissão dele. O Henry Miller largou tudo e foi escrever com seus trinta e poucos anos de idade. Os beats, bem como o Bukowski até tinham alguns sub-empregos, mas isso é muito diferente de vender a alma. Se um dia eu estiver passando fome, provavelmente vou arrumar algum emprego do tipo. Mas isso é muito diferente de passar a vida atrás de uma mesa, como juíza por exemplo, tentando escrever nas poucas horas vagas que me sobram. Além do que, sobre o que eu poderia escrever? Romances policiais?

- (Perdendo a paciência...) E você vai fazer o quê? Ser puta igual a sua amiga?

- A vida é uma puta. Ela não é puta.

- Ela mostra o corpo.

- Os índios também mostram o corpo.

- Os índios não fazem obscenidades.

- Nem ela. Ela dança.

- Então!

- Os índios também dançam...

- Não tem comparação Tatiana! Imagina o mal que ela faz para estes homens!

- Malllllll? Mostrando o corpo?????? Mãe, não dá pra conversar.

- O que não dá é você achar tão normal vender o corpo.

- Mãe, o que não dá é você achar que vender a alma tudo bem, mas o corpo não...

11.2.09

.das ironias que nos perseguem.

Seria mágico se carregássemos nas nossas bolsas, lápis de cor. Tipo aqueles 36 cores da faber castel. Com aquela cartela de cores incríveis e vibrantes. Imagina se pudéssemos colorir nossos dias com eles. Ok, a noite também.

Do azul-claro ao cinza escuro. Do rosa-choque ao verde musgo. Do preto fosco ao amarelo estonteante. Colorir os momentos da cor que quiséssemos. Talvez a originalidade não se perderia no brilhantismo dos outros. Quem sabe quando o dia chegasse, não acharíamos coragem pra pintar, à gosto do cliente, nossos muros, pegadas, sentimentos, aflições.

Se nos enchêssemos de cor, talvez não engasgaríamos ao falar, qualquer palavra que ecoasse na mente, as mãos não tremeriam de uma possível fraqueza, ou quem sabe, o eu interior não brincaria mais de contorcionista. Olharíamos altivos, com pensamentos retilíneos. Plenos de nós mesmos.

Seria lindo se acreditássemos e soubessemos o quanto possível um sonho colorido se faz real. E que manter os olhos abertos ajudam a manter as cores mais fortes. Vivas. Nesses dias talvez não sentíssemos falta da complexidade, dos vários buracos e lacunas. Das partes que nos faltam.

Seria estranho se deixássemos de ser 'ia' e pudéssemos de fato enxergar quanto amarelo o sol é?!

Deixo aqui um segredo: quando esse dia chegar, você buscará espaços em branco, feito folhas de caderno e verá no próprio espelho o reflexo do maior sorriso do mundo, desses que colorem qualquer coisa. E assim se sentirá em casa.

... Como eu me sinto.


Veja, ouça e sinta: ' Isn't it ironic ... don't you think?! '

2.2.09

.das coisas que ele sabe bem.

E depois das lágrimas coloridas de ontem, acompanhadas ao som de duas cores, eu lhe vejo hoje dormir com uma expressão de cansaço, mas, ao mesmo tempo, um leve sorriso no rosto, após a noite anterior. Quando essa linda imagem vai fazer parte de todas as minhas manhãs, tardes e noites? Daqui a cinco anos? Eu espero, pois eu lhe amo devagar para admirar cada belo detalhe do seu corpo. Da hello kitty ao coraçao de cadeado. Das pernas brancas da falta de sol ao lindo sorrisão.
(Leo Ribeiro)


O melhor de tudo é que mesmo de madrugada e com a possibilidade de acordar com o braço dolorido, você não larga minha mão. Dá medo, pois você é perfeito demais pra mim. É um amor calmo, sem aqueles maremotos do qual estou acostumada. Do qual estávamos.
Nós aprendemos juntos ... e as aulas estão cada vez melhores.
Obrigada por mais uma vez deixar seu cheiro no meu travesseiro. A saudade é menos dolorosa ...
Aaah, não posso esquecer que sua presença traz o sol em dias cinzas, ou melhor, a luz em dias de apagão na zona leste. rs
Eu sei que o que semeia de bons sentimentos, não é só em mim.
E o que me deixa mais feliz, é que mesmo com tantas certezas que nos permeiam, as incertezas nos trazem pro plano mais bonito do amor que é sermos quem somos e que nada muda o que sentimos a não ser nós mesmos, nós dois ... e claro pra melhor.

Eu te amo muito Leo, parabéns pelos seis meses, que pra nós não passam de maravilhosos fins-de-semana.

23.1.09

.sobre as mulheres.

Já faz alguns dias que ando dedilhando na mesma tecla sobre um assunto: MULHERES. Sim, sobre eu, sobre minhas amigas, sobre todas nós. E eu sei que devo estar ficando bem chata e insistente com isso, mas é que, sempre aparece uma bizarrice pior:

Este é um post de um blog da Folha para estudantes e interessados em jornalismo.

Ok, eu não vou discorrer sobre como a Ana, editora de treinamento da Folha, endossou a mensagem sexista do anúncio ao escolher “mulheres complicam” como título. Isso não é nada perto dos comentários do post, feitos por … mulheres. Elas disseram ”adorar” o anúncio. Eis uma pérola:
[Silvia Dutra] Maravilha, é isso mesmo. Por essas e por outras (muitas outras) que eu adoro os homens, essas criaturas simples e óbvias.

Aham. E o seu sexo mesmo, qual é?

Ou ainda:
[Priscila] [BH] É bom mesmo. Explicou muita coisa com muito pouco e, ainda por cima, mostrou umas verdades rsrs. O do banheiro é o melhor.

Explicou o quê? O quanto fomos rebaixadas a uma idiotice?

Me desculpem mas eu fico, sim, revoltada com essas coisas. Que porra de mundo é esse, em que um anúncio te chama de frívola, burra e amaldiçoada por Deus e você o “adora”, achando que é tudo verdade? E não me venham com, 'ah, foi apenas uma brincadeirinha', porque, sim, o anúncio diz isso mesmo.
Pensa comigo:
1) complicar as coisas em vez de facilitar é burrice.
2) Passar horas se preocupando com a roupa é uma atitude considerada fútil.
3)Para fechar com chave de ouro, o slogan é “thank god you’re a man”. Se você deve agradecer a Deus por ser homem, ser mulher, então, só pode ser uma maldição.

Agradeça a Deus porque Deus o livrou de ser mulher! Isso seria hor-rí-vel! Ninguém quer ser burro e fútil como elas (nem elas mesmas, como o comentário da Silvia atesta).
É tão absurdo e tão óbvio, mas parece que nunca cessa a necessidade de repetir: não, nós não somos assim. E, se há algumas que são, cabe questionar se elas não são assim porque, desde pequenas, ouvem que é assim que as mulheres se comportam.
Ora, embora passem horas escolhendo a roupa, muitas mulheres resolvem equações em dois palitos. Muitas comandam empresas e governos. E aí? Dá pra governar um país sem ser prática? Opa, deve ser por isso que dizem que, na verdade, quem governa são os maridos (era o que diziam de Hillary, caso ela ganhasse).

Também temos de pensar: por que as mulheres demoram demais para escolher o que vão vestir? Será que é porque somos automaticamente julgadas pela aparência, como se as roupas dissessem mais do que o que sai da nossa boca? Com um decote assim ou uma saia assado, num piscar de olhos viramos 'putas' ou 'santas' ou 'lésbicas' ou 'masculinizadas demais'. Por causa da roupa que usamos, dizem que estamos 'provocando' quem nos estupra. Por causa da roupa, tem gente que não nos leva a sério. Fica mesmo difícil se vestir num mundo assim.

Coisas desse tipo acontecem todo dia e a mulherada finge que não vê. Ou se não finge, acha graça, faz piada e concorda.

Esses dias recebemos em casa minha tia e meu tio. Estávamos todos conversando quando surgiu o assunto da 'Sra.' Obama. Meu pai começou a falar sobre seu estilo, roupa e blábláblá. E eu comentei sobre ela não ser somente a Sra. Obama. Ela tem um nome, Michelle, um curriculum impressionante e as pessoas a tratam como se ela fosse um bibelô, um enfeite. Porra, a mulher estudou em Princeton e Harvard — nesta última, formou-se em direito summa cum laude, babe. Ela foi tutora do Obama, quando ele era estagiário, e tem um extenso e bem-sucedido currículo. Ela não é um bibelô. Não é um enfeite. É uma pessoa inteligente, com experiência e muito a dizer. Debaixo do penteado a la Jackie-O, meus queridos, existe um cérebro. Gostaria que isso fosse ao menos mencionado.
O que aconteceu comigo foi que, eu simplesmente fui ignorada, disseram que eu estava 'errada' e finish. Mudaram de assunto ...

Ontem mesmo saí para beber com uns amigos. No decorrer da bebedeira, meu namorado aproveitou para comentar o caso acima (discussão sobre Sra. Obama que ocorreu na minha casa), logo começaram a fazer piadinhas (diga-se de passagem, bem sem graça) sobre o caso. Eu comecei a falar que acho errado como nos diminuem a nada, como esse tipo de piada acentua o preconceito. Assim puxei corda para a violência doméstica e acabei comentando sobre a Catarina (personagem interpretado por Lilia Cabral na novela A Favorita, que apanhava do marido), em seguida uma grande amiga (sim, amigA, logo ela é MULHER), soltou uma piadinha: 'Olha só, tem uma frase do Leo (personagem de Jackson Antunes, marido que batia em Catarina) que eu colocaria até no meu orkut, pra zuar, mas é o máximo, 'mulher é que nem mosquito, só sossega no tapa', nessa hora TODOS na mesa começaram a rir (inclusive o meu namorado), quer dizer, ela como mulher, me solta uma piada ridícula com teor de violência gigantesca e acha engraçado.
Óbvio que minha reação não foi nada agradável, então, eu, séria (e puta da vida!) disse: 'Aham. Não acho nada engraçado', e todos continuaram a rir, como se me deixar daquele jeito, como se levar esse tipo de discussão pra esse lado da piada fosse realmente engraçado ou normal. Me desculpe mas esses assuntos NÃO são engraçados, são sérios e não deviam levar pra esse lado. Nem numa mesa de bar, com seus amigos (talvez justamente por você estar com seus amigos eles realmente não deveriam fazer isso), achei melhor nem começar a discutir porque, se eu falasse tudo que me veio à mente, eu certamente perderia uma amiga e levantaria da mesa mandando todos pro inferno. Mas pelo menos eu deixei claro que não gostei deste tipo de comentário. Mas não adiantou, todos começaram a falar besteiras e euu fui tachada de feminista e brava. Vai entender, né?
Quer dizer que se a sua mãe apanhasse do seu pai, se sua tia fosse estuprada, se sua filha andasse nas ruas e fosse obrigada a ouvir palavreados como: 'sua gostosa', 'me dá uma chupadinha' (no caso dos sorvetes), 'quero te comer, morena', você acharia engraçado? Faria piadinhas sobre o assunto?!

Olha, entendo que os meus amigos estavam apenas fazendo piada e que, muito provavelmente, se opõem à violência doméstica. Mas, queridos, entendam de uma vez por todas: essas piadas não têm graça. Elas são ofensivas. Não só fazem com que eu (que sou mulher) me sinta desconfortável, como dão uma colher de chá para a violência. Se você condena a violência doméstica, então não faça piada. Porque não é uma piada. É o que acontece na vida de muitas pessoas, todos os dias.

Eu nunca vejo ninguém ousar dizer que os negros gostam de ser discriminados ou que os gays gostam de apanhar dos pit boys por aí. Mas, com a mulher, sempre há alguém querendo dizer que a gente gosta disto. Quantas vezes você já ouviu que é dos cafajestes que a gente gosta? Ou, para citar uma frase do Nelson Rodrigues, “ele bate, mas bate no que é dele” (olha aí a idéia de mulher como coisa, como propriedade!). Ninguém gosta de ser agredido. Somos seres humanos e a violência não se justifica nunca. Nem em piada. Fazer piada com isso só tem graça para você, homem privilegiado, que não tem de passar por isso. O único objetivo deste tipo de “piada” é reforçar o privilégio masculino na sociedade.

Então, puta merda, parem de acreditar nessas generalizações ridículas, meninas. Isso só prejudica vocês.

20.1.09

.das sensações boas que chegam a doer.

Sensação incrível de querer viver, sabe?!
Como se os olhos queimassem de tanto brilhar.

...

19.1.09

.sobre máscaras.

Jayme Monjardim numa entrevista pra Veja:

Veja: Sua mãe foi uma transgressora?

JM: Sim. E essa foi uma das características de sua história que me motivaram a fazer a minissérie. Maysa foi transgressora porque ousou viver com prazer e sofreu profundamente. Muitas pessoas sonham em ser como ela, mas lhes falta coragem para isso. Minha mãe falava o que pensava, nunca teve meias palavras e foi intensa em todos os sentidos. Isso é raro. Todo mundo se esconde atrás de uma máscara. Maysa, não. Nunca teve vergonha de assumir o que era e sabia que despertava nas pessoas à sua volta uma sensação de preocupação e medo.


É ... tipo dessas, existem poucas.
Como sofrem elas ... e como se apoderam do que são.
São o que são e não negam. Têm medo, mas ele vai sumindo aos poucos, feito fumaça, por buscarem a realização do ser. Por completo. Por existir.
Sofrer faz parte, ser feliz também. Mas sermos nós mesmos, chega a expandir a mente e coração. Dói no corpo. Mas compensa ...

14.1.09

.mais do mesmo, repete.

Hoje alguém disse que meus olhos brilham diferentes, como há tempos atrás. Que ando certa das decisões, firme. Não mais aquela molenga que eu era. Que chorava pra tudo e pra todos. Me disseram, em palavras felizes, que estou melhor. Mais bonita. Mais magra. Mais confortável. Menos rigorosa. Mais madura. Mais mulher. Mais ... logo eu que sempre me senti tão menos.

Hoje eu ajudei alguém. Eu ouvi, entendi, compreendi e ai essa pessoa sorriu. E ela me agradeceu. Disse que há tempos ninguém lhe ajudava daquela maneira. Que hoje o dia se tornou um pouco mais feliz. Feliz ... logo eu que sempre me senti tão infeliz.

Hoje eu aliviei o sentimento de um outro alguém. O desabafo foi grande e complicado. Coisas que fugiam do que eu sempre corri atrás. E surpreendentemente eu consegui correr a frente da fuga e lhe dei um belo chute na bunda. Chute na bunda ... logo eu que sempre levei vários desses.

E nesse alinhamento de coisas sobre eu mesma, cansei. Dessa vez o meu eu é diferente. Antes quando tudo havia mudado, percebia que elas simplesmente continuavam na mesma. Na mesma ... logo eu que sempre fugi da mesmice.

Engraçado, o igual diferente. Mais do mesmo, eu lhe digo, é uma bosta.
Hoje, estou um pouco cansada, porque além de um milhão de coisas reais que eu tenho no mundo real, ainda tenho que lidar com um milhão de coisas irreais que eu tento entender no meu mundo irreal. Pensa, isso não é para qualquer um. Ou desisto de um, ou de outro, os dois juntos dão um trabalho daqueles de desmaiar de cansaço.
Mas eu preciso dos meus dois mundos e não seria possível viver sem nenhum deles. Preciso do real para me sentir inserida, preciso do irreal para me sentir deslocada e preciso dos dois para existir. Não dá para escolher. É essa mistura que me faz ser quem sou.

Quem escreveu mesmo aquela frase: "a dor e a delícia de ser o que se é". Hahahaha, essa pessoa devia estar pensando exatamente como eu hoje. Não é fácil ser como a gente é, mas somos. Então f
echa os olhos, não briga, nem perdoa ... apenas estabiliza.
(acho que já falei sobre isso ...)

Hoje me senti tão eu. Hoje eu cansei. Hoje eu me confundi, mas aprendi e amei.

Queria tanto que você fizesse o mesmo ...