27.5.09

.dos tempos corridos.

... e lá fora cai o mundo em água.
aproveita pra limpar a alma dos que estão fora de casa, fora de si, fora do 'de dentro', sejam os que estão cobertos ou não.

quando você sente-se só e parece que até a fé se abala.
o reflexo no espelho é turvo e as palavras mal faladas e escritas.
você parece frágil e na rua lhe apontam os dedos.
então as gotas descem na maior clareza possível, do mais simples e legível contorno.

quando o coração pesa e dói. você olha pela janela e vê as gotas de chuva caindo e então elas lhe mostram o melhor dos casos e acasos. e nessas gotas aparecem pessoas que lhe permitem ser exatamente como você é. ai tudo fica belo, poético e o coração palpita forte novamente.

quando você deseja que as coisas fiquem mais tranquilas, mas você simplesmente não consegue enxergar como fazer isso. é nessa hora que as gotas de chuva aparecem e conseguem molhar lugares que nem os pensamentos chegam. é aí que tudo clareia e vira prece.

deve ser assim quando as lágrimas pesam. quando chove, como agora, ou quando o céu fica nublado, como hoje pela manhã.
É ... deve ser assim.

Ainda bem que depois da tempestade, vem o sol ... e com eles os sonhos feitos de nuvens.

... ainda bem.

22.5.09

15.5.09

.eu sou, eu sou, eu sou.

(...) se sentia de propósito culpada e rezava mecanicamente três ave-marias, amém, amém, amém. Rezava mas sem Deus, ela não sabia quem era Ele e portanto Ele não existia.

(...) Dava-se melhor com um irreal cotidiano, vivia em câmera leeeenta, lebre puuuuuulando no aaaar sobre os ooooooouteiros, o vago era o seu mundo terrestre, o vago era o de dentro da natureza.

E achava bom ficar triste. Não desesperada, pois isso nunca ficara já que era tão modesta e simples mas aquela coisa indefinível como se ela fosse romântica. Claro que era neurótica, não há sequer necessidade de dizer. Era uma neurose que a sustentava, meu Deus, pelo menos isso: muletas. Vez por outra ia para a Zona Sul e ficava olhando as vitrines faiscantes de jóias e roupas acetinadas - só para se mortificar um pouco. É que ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco, é um encontro.

Clarice Lispector - A Hora da Estrela, porque as vezes a gente se sente meio Macabéa e por vezes se sente Rodrigo. Porque quase sempre a gente escreve pra ser compreendido. Porque as vezes só quando 'morremos' percebemos que estamos vivos. Porque as vezes a morte é a hora da estrela. E porque quase sempre sentimos que não há tanto lugar no espaço para acolher estrelas como essas.

11.5.09

.dentro e fora dos sonhos.

eu tive um pesadelo essa madrugada. acordei de súbito, assustada, parecia que suava. e de repente ouvi uma voz me perguntando baixinho, assim no ouvidinho: o que aconteceu? - e ao abrir meus olhos por um segundo, quase que no escuro, percebi que estava ao meu lado, segurando minhas mãos, o melhor dos sonhos que já tive acordada.




... obrigada Leo.

7.5.09

.dos passeios por blogs alheios (2).

14/11/2007 - Escrito por ' .ciola. '

queria aprender a voar,

aí eu pensei,

pensei,

pensei.


eu conclui: não dá pra voar.

se voasse em casa não ia adiantar de nada porque o teto é muito baixo. se voasse no jardim, os vizinhos iam ver e querer botar fogo na casa ou então chamar pra algum programa sensacionalista. se tentasse voar na reunião do mpl iam querer cooptar meu vôo pra uma causa revolucionária, ou provavelmente iam reclamar que eu fico voando ao invés de acompanhar a reunião. se voasse na faculdade iam cancelar minha matrícula, me transformar em fenômeno e me mandariam pra algum laboratório. se voasse no buteco iam começar a tacar coisas em mim.

por isso eu digo: não dá pra voar.

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Eu definitivamente aprecio minhas visitas a blogs alheios. Não é sempre que encontramos coisas boas por ai. Na verdade hoje é muito mais fácil fazer biquinho e ter limite de 140 caracteres pra escrever. rs

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Eu não voei ... mas deu uma certa vontade.

4.5.09

.alguns sentidos, absurdos.

Gosto ruim na boca, certa indigestão causada por mastigação incorreta de palavras. Palavras que não foram ditas por mim, mas que engoli como se fossem. Já é quase de praxe ... sempre permito que aconteça, talvez esteja ai a explicação para tal dor de estômago que amplia-se para uma gastrite nervosa.
Olho em volta e algumas coisas encontram-se turvas, como se precisasse de óculos. Talvez precise realmente ... ou quem sabe se eu começasse a olhar por outros ângulos, existem milhares deles por ai e todos fazem isso, não é mesmo? Estes mesmos lados, serão eles os culpados? Afinal, porque nos importamos tanto com o olhar dos outros? Porque não aceitamos simplesmente o fato de que a vida é essa mesmo. A gente faz cagada e nem sempre podemos consertar, ou melhor, os outros (também) cometem muitas cagadas, não enxergam a própria merda em que estão e acabam virando o jogo, para que nós pensemos o contrário, para começarmos a avaliar realmente se o que fizemos foi correto. Quanto egocentrismo minha gente.
Nessas horas em que resolvo tocar meus dedos nesses teclados sinto a liberdade passando por entre eles. Nem sempre consigo expressar o que quero. Mas é assim mesmo. Sempre será. Minha cabeça é cheia de coisas, idéias, pensamentos, palavras ... que se não solto, me afogam. Quase um sacrifício de mim mesma. Um suicídio. Se não solto, mato-me e morro, com sede de quero mais. Um dia meu namorado disse que não entende certos textos meus, eu não fiquei brava, nem chateada, nem algo do tipo ... fiquei pensando naquilo e não parei mais. Quer dizer, nem eu mesma me entendo e não espero que façam o mesmo. Nem que consigam me entender ... afinal, quem se entende de verdade, ou melhor, quem se entenderá pra sempre?
Esses dias estava pensando no círculo de amizades que eu tinha, isso mesmo ... tinha, e comecei a lembrar de todas as pessoas que passaram na minha vida. Á todas aquelas que disse um 'pra sempre', um 'melhor amiga', um 'melhor namorado', 'um melhor momento da minha vida' e não me arrependo de nada. De nenhum deles. Claro, me arrependo ou me chateio pelo rumo que tudo se deu. É triste pensar num finito, quando pra gente existe o simples infinito, mas olha só, ele existe e é palpável. O que eu quero dizer a falar dos meus ex-amigos (caramba, isso existe) é que foi aquela coisa que o Vinicius falava: "Que não seja imortal posto que é chama mas que seja infinito enquanto dure...". Eu nunca esqueci dos momentos bons que meus ex-amigos participaram comigo, nem faço (com o maior esforço do mundo) com que os momentos ruins, estraguem os bons, mas á mim é necessário o apagamento deles da minha vida. Não é por mal, sabe? Mas eu simplesmente não consigo lutar pelo papel 'principal', que a maioria deles insiste em ter que é o de dizer um monte de merda por ai, esses tais papéis de vítima. Tem gente que nasceu pra isso. Eu já tentei milhares de vezes interpretá-lo, mas não adianta, é mais forte que eu. E vai totalmente contra meus princípios. Mas veja bem, eu não corto isso deles. Afinal eles tem tal direito, mas é por isso que permanecerão sempre na pilha de 'ex' coisas. Á mim sobra o papel da megera ... da morena malvada. Tudo bem, eu respeito o título que é me dado, as vezes, na maioria deles, não concordo, mas decoro o texto, subo ao palco e interpreto melhor que ninguém. Melhor que você.
Sabe, existe um fator engraçado nisso tudo, pensando nessa questão de sentidos, existe a constatação de que a dor de garganta nos obriga a falar menos, e assim ironicamente, a dor de ouvido não te impede de ouvir o monte de besteiras usuais, como essas minhas palavras ou as milhares que leio por ai.

O que me sobra é a certeza de que um dia, quem sabe, encontrarão algumas fotos e cartões-postais numa caixa de madeira velha, escondida debaixo da cama, aquela da qual sempre falo. Venho por anos guardando coisas ali. E um dia encontrarão muitas restos de mim, em papéis, anotações e palavras bobas, gastas á toa.

Além de me sentir plena, fique sabendo que em nenhum momento me culpo por continuar carregando certas lembranças na minha vida, elas fazem parte de mim e ajudam sempre a me tornar quem sou hoje, com um pequeno detalhe de que elas ficam guardadas de um lado onde hoje já não faz a menor diferença que certas pessoas já existiram.