30.6.09

.das dúvidas cruéis.

e as vezes sobra muito dentro dela. e não sabe o que fazer com isso tudo. com essa sobra. e não sabe o que fazer com as palavras, que ficam grudadas na lingua. e com os sentimentos guardados? e com as vontades que suam pela pele ... o que fazer com elas? Ela não sabe, coitada. Coitadinha.

não sabe o que fazer consigo mesma. com os gestos (in)voluntários, com o coração que palpita, com a boca que molha a cada beijo. com os olhos que piscam, atrás de algo ... que também não sabe o que é. e a luz vem e cega. Ai meu Deus, o que fazer? - pergunta ela.

... transforme em sonhos, ele responde.

e ai ela sonha. e ai ela pensa. e ai vai somando pra si ... coisas. pequenas, grandes, médias ... soma. e ai pesa, transborda. e engole sapos. e a barriga vira brejo ... e então sobra novamente. ai meu Deus! - reza ela.

então decide tranformar em lágrima. ai chora, desafoga. sente falta. liberta-se. lembra-se e sorri, assim fácil ... e vive. convive. e abre a janela. e fecha uma porta. e escreve, lê. e pensa novamente. e vai vivendo em círculos. em pontilhados. em reticências ...

continua sobrando. continua não sabendo o que fazer. coitada dela. coitadinha. 'ao menos vive' - diz o seu reflexo.

Um comentário:

disse...

às vezes ela cansa.
mas aí, se lembra de sonhos e de lágrimas e assim, algum suspiro revive dentro dela.