20.8.09

.das vontades de quase sempre.

Alguém por ai sabe se é possível tornar-se invisível?!

Agradeço desde já.

Atenciosamente,

Mila.

12.8.09

.dos passeios por blogs alheios (3).

A relação entre o tempo, a qualidade e a criatividade

- Mas quem é o Chico Buarque de hoje em dia? – me perguntou um gringo.
Isso faz uma semana, e eu ainda estou em silêncio.

O silêncio me fez pensar que talvez desde que inventaram o ‘Delete’ a inspiração acabou. No entanto, a borracha existe desde sempre. Só que dava mais trabalho apagar, então o rascunho já tinha que ser bom. Depois pensei que não. Talvez o tempo dedicado `as coisas fosse diferente.

Estou ouvindo Abbey Road agora. Gosto desse disco porque é a prova de que Deus existe. Quem não acredita em Deus nunca ouviu as últimas faixas de Abbey Road. Deus dentro de cada um dos homenzinhos que habitam esse planeta. No caso, eram quatro deles que, na hora certa, no lugar certo, resolveram canalizar o melhor de si num propósito comum através do tempo. Quantas horas por dia os Beatles passavam dentro do estúdio? E quantas horas pensando em bobagem? Quantos livros eram lidos na vida de um artista antes e quantos hoje?

O quanto a situação política de um país influencia a criatividade de um poeta? E a situação financeira do mesmo? Dinheiro é um estímulo legítimo? Isso determina a qualidade? Talvez sim, apesar de existirem cineastas e músicos de família rica que fazem obras profundas. Então a resposta é não.

Agora penso que o propósito de se fazer algo e maneira como se lida com o tempo são as coisas mais importantes. Isso tem a ver com maturidade e clareza. Uma fruta demora tempo para ficar madura, cair do pé e gerar outra árvore. Uma pessoa madura é mais livre porque se desprende do pé e gera o que quiser. A pessoa madura percebe que é ela mesma a responsável pela sua trajetória. E se ela tem o propósito certo… é só usar o tempo a favor dela. Por que exatamente se faz algo? Para agradar a quem? Se for a si mesmo, todas as respostas resultantes do trabalho serão um grande sim.

O ‘Enter’ facilitou bastante a vida da nossa geração inteira, mas ao mesmo tempo, criou a ilusão de que tudo se resolve apertando um botão. Criatividade, soluções, relacionamento, auto-imagem, perfeição. Já diz o velho ditado: a criação é “99% transpiração e 1% inspiração”. Nossa geração desorientou o tempo natural das coisas para o bem e para o mal. A velocidade com que se pode alcançar as informações é muito maior hoje, assim como a ansiedade de se resolver tudo num estalar de dedos. E a maioria das coisas, infelizmente, não respondem a um comando elétrico.

Talvez esse seja um grande desafio para quem é jovem hoje. Como usar melhor o tempo e todas essas possibilidades sem fim que estão a disposição? Será que a gente consegue escolher o que ver, o que ler, o que ouvir para que isso contribua para a nossa vida de um jeito legal?


Blog da Luisa: http://mtv.uol.com.br/blogdaluisa/


Quando eu canso de falar, escrever, pensar, deixo que os outros (os bons outros) façam por mim ...