26.3.10

.fez o que achou melhor: transformou em experiência.

Foi num domingo, ela se lembra bem. O coração parou de bater, não completamente, mas naquele ritmo lento, daqueles que fazem a gente abaixar a cabeça de tristeza. Não uma tristeza de choro desesperado, mas um choro de perda em que o coração dói em pontadas agudas. Seus olhos enchergavam escuridão.

Completava naquele domingo dezenove anos, mas sentia-se com um peso de 40. Arrumou-se toda para receber seus melhores amigos, seus melhores amores, seus melhores ... e recebeu-os, com aquele sorriso que só ela sabia dar, com aqueles abraços apertados de que se joga o corpo em alguém sem pensar muito. Eles chegaram com presentes nas mãos e sorrisos largos. Com almoço na mesa. Era dia de lasanha, também pudera ... domingo, não há nada melhor.

Depois foram pro quarto, os três ... quase um ménage. Quase uma competição. Quase um abuso. Quase algo que nunca entendia bem o que aquilo significava, e era exatamente disso que tinha mais medo. Fingiu estar bem. Fingiu estar feliz. Fingiu ser simples e menos complexa ou confusa do que o normal. Fingiu, como quase sempre fazia por eles. Preste atenção: por eles, não pra eles. Queria ser feliz, queria sorrir de verdade, mas não sabia como diante daqueles dois. Simplesmente não sabia. Só queria agradar. Só queria ser ela. Só queria tê-los por perto, mesmo que os dois não dessem muita atenção pra aquele coração vermelho que batia acelerado.

Era quase sempre assim. Ok, achava que exagerava ... antes as coisas eram diferentes. Mas eram diferentes quando não eram três. Quando eram dois, eram lindos, felizes. E quando três, sentia estranheza. Era como se olhasse pros lados e sentisse somente ela mesma. Como naqueles filmes, onde todos falam, correm, tropeçam e você encherga somente você mesma. Sem som, sem palavras, mas a verdade ali estampada bem na sua frente. Quase como um espelho.

Queria que eles não tivessem aparecido juntos. Tinha reservado pra cada um, um tempo. Um abraço. Um beijo. Uma palavra. Um sentimento. Eram tão diferentes um do outro. Tão diferentes aos olhos dela. Queria gritar e dizer: Não percebem que não são um só. Não percebem que estou aqui, querendo o que cada um é? Em sua linda imperfeição?

Mas continuavam sendo três, que mais pareciam dois. Era estranho. Era dolorido. E não conseguia decifrar aquilo tudo que sentia. De um lado um amor-amizade de mulher e homem e do outro uma amizade-amor de mulher e mulher. E ela só queria amar.

E doía ... dóia muito. Porque sabia que naquele domingo chuvoso de novembro, a saudade explodiria e nada mais seria o mesmo. Fugiria daquilo. Daquelas sensações inexplicáveis e confusas. Não era saudável. O Amor quase nunca é. Pelo menos não era aquilo que brotava dos poros. E também nunca aprendera isso. Essa coisa de amor leve, saudável talvez não fosse com ela. Talvez a escolhessem justamente por não conhecer isso.

Ela sentia dentro do peito. Sentia dentro das coxas. Sentia dentro dos lábios que a saudade explodiria dentro dela. Uma saudade que não seria única, mas um saudade em si, de cada um daqueles dois que se encontravam ali naquele quarto minúsculo. Mas preferia sentir saudade de dois, separadamente, do que de três juntos sem saber na verdade o que são.
Ela precisava de verdades escrachadas. Estava cansada de mentiras sinceras, como naquela música clichê em que todos cantavam com o pulmão inflado, mas sem saber nem um terço do que aquilo significava. Grande bosta!

Cansados os três daquela farsa, os dois resolveram ir embora, juntos, como chegaram. E então sobrariaapenas um, ela. Uma conta de matemática nada dificil, mas que pra ela parecia uma equação complicada. E aquele quarto minúsculo, ao invés de voltar a ser grande, resolveu encolher-se. E saudade, o peito só ... começaram a engolí-la.
O amor, o sonho, as vontades, os sentidos, as palavras, as cartas, os depoimentos, os abraços, os beijos, as danças, tudo ... foi virando saudade entre aquelas quatro paredes brancas.

Virou lágrima, virou dor, virou tristeza, virou um tempo que foi embora. Virou um tempo, uma carta, um texto ... virou isso que já não é mais. Virou um silêncio, que sem querer as vezes grita, de uma saudade das coisas boas pelo qual ela passou. Por vontade dela. Virou um sentimento que não é mais sentido e que se fosse, não saberia como. Viraram lembranças de um passado, que entre três, houveram momentos bons, que á dois, momentos melhor ainda e que á um, muito, mais muito mais felizes.

Ela aprendeu a ser só. Aprendeu que a solidão não mata. E aceitou isso. Aceitou o aprendizado. E por isso, ela agradece aos dois, pelo passado do três, que depois de um tempo, virou um.

Virou o que a saudade é, não congela, não morre ... só dorme.
E nesse caso dorme há muito, muito tempo. Sem previsão pra acordar.

18.3.10

.não solta a minha mão.




Nem quando a gente dormir.
E caso solte, eu lhe entenderei, as vezes dói, mas eu faço massagem depois.

16.3.10

.apaguei.

perdi a vontade de procurar, ler e salvar coisas de casamento.
não que fosse realmente casar ...
mas foi algo tão 'perdeu a graça', sabe?
apaguei os readers ligados a isso.
deletei as fotos.
e fingi deixar pra lá. fingi estar feliz.

e meio que tudo ficou tão ... 'tão', entendem?

é ... aconteceu.

5.3.10

bad, bad server. no donuts for you.