6.5.10

.eu nunca na vida, vou te abandonar, meu corinthians.

Essa eu dedico ao meu pai (que deve ter quase enfartado ontem) e ao meu avô (que tá lá no céu puto da vida):

Bom acho que não preciso explicar pra ninguém o quanto eu sou apaixonada pelo Corinthians.
Nem aqui, nem por lá, nem por ninguém e pra ninguém eu preciso explicar tudo o que sinto.
Talvez ninguém entenda mesmo. Ou melhor, só me entenderá, quem bate no peito e se orgulha desse amor.
Eu não vou fingir que nada aconteceu. Não vou ficar quietinha, como alguns outros torcedores fazem quando perdem algo. Não vou deixar de beijar aquele brasão que toda vez que eu olho, me lembra uma vida de coisas boas e ruins.
O Corinthians pra mim, é como qualquer outra paixão que tenho na vida. Porque é mais que futebol, é mais que qualquer campeonato, é mais que qualquer taça, é um motivo pra me sentir envolvida com uma nação gigantesca de gente que sente o mesmo que eu. Que sente o coração bater mais forte a cada gol feito ou perdido. Ele me faz lembrar do meu avô, com quem aprendi a ter essa paixão pelas coisas, a lutar e se honrar de torcer realmente por algo, com todas as forças. Como aprendi com meu pai, que ganhar e perder faz parte da vida e que não é porque a gente perde algo que a gente desiste dele. Ou como também não fazer disso um ultimato das coisas, da luta.
Esse texto não é um choro, nem uma cabeça baixa, é sim, mais uma demonstração do quanto eu amo esse meu time. Que sim, me ensina tanta coisa. Inclusive, como lidar com perdas. Nenhum corinthiano está feliz de deixar passar mais essa chance, afinal todos nós queríamos tentar mais essa vez. Mas não é uma obrigação, é uma vontade. E é isso que me faz sentir orgulho do meu time, que não abandona, nem abaixa a cabeça pra nada e que sim, empurra o time até onde ele conseguir. É isso que faz da gente, ser diferente de todos os outros times, não é a falta da taça da Libertadores, fisicamente pode até ser, mas é a honra de se tentar sempre e não desistir nunca. É estar ali, juntado mãos com mãos que se transformam em um e que não desejam nunca de não ser outra coisa que não seja ser corinthiano.

Eu poderia ficar aqui, falando horas desse amor que aperta e liberta. Mas como eu disse, ninguém entenderia ...
Então eu deixo aqui as melhores palavras que poderia após o ontem:

Texto retirado daqui: .eneaotil.


E DAÍ?

Acabou. E acabou cedo, mais uma vez. Acabou precoce. E DAÍ? Existem coisas que deveriam continuar e acabam e existem coisas que deveriam acabar e continuam. No futebol é assim. Na vida é assim.

O que ficam são lições. Lições que teimam em nos ensinar, mesmo sem querer, todos os dias. E nós, torcedores limítrofes, fingimos não entender o que dizem nossos professores. Professores, não mestres. Estão muito longe de serem mestres.

Mas com o fim da Libertadores, acabaram-se as desculpas também. Nada agora é prioridade, a não ser entender essas lições. Quando nos falaram, no meio do ano passado, que o Campeonato Brasileiro não era prioridade, mas que a Libertadores era, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que tínhamos um planejamento, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que fulano era ídolo e que deveríamos apostar tudo nele, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos disseram que ciclano viria, trazendo com ele todo o dinheiro do mundo, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos prometeram mundos e fundos e depois trocaram o discurso, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos ofereceram business ao invés de bola, a gente já deveria ter aprendido. Quando nos anunciaram que o ingresso triplicaria, quadruplicaria para pagar todo este circo, a gente já deveria ter aprendido. E negado. E rechaçado. E lembrado de toda a nossa história.

São cem anos de lições. E, muito provavelmente, não levantaremos nenhum caneco para coroar isso. Mas nunca precisamos. Nunca. Não nestes cem anos. Não existe nenhum ouro, prata ou bronze que brilhe mais do que a nossa história. Nem taça tão grande que nos seja digna de trocarmos o que os cinco operários do Bom Retiro começaram lá atrás, em 1910.

Quiseram dizer para a gente que Libertadores e Centenário eram sinônimos. Teve quem confundisse, mas nesta hora já deve ter percebido o equívoco. O Corinthians é maior do que a Libertadores. Muito maior. E maior do que qualquer campeonato, já conquistado ou não. Maior do que os seus 26 campeonatos paulistas somados, inclusive o de 1977. Maior do que os seus quatro campeonatos brasileiros, incluindo o de 1990. Maior do que o seu Mundial. Maior do que seu tricampeonato da Copa do Brasil. Maior do que todos os campeonatos que estão por vir. Porque eles só são parte de uma história.

Uma história de ditadura e democracia. De fila e de conquistas. De torcida grande e de torcida gigante. De patrões e operários. De sanguessugas e de gente que dá o sangue. De desgraça e de alegria. De gol de placa e de pisada na bola. De altos e baixos. De dinheiro e de dureza. De preto e de branco.

História feita por Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia. Por Rebolo, Sócrates, Joca, Edmar, Zinho, Tuquinha, Pulguinha, Leonor, Rafael, Madalena, Arethuza, Kazuo, Edson, Turco, Paulo, Zé, Thiago, Neco, Neto, Juliana, Thiago, Mariane, Maria, Bruna, Thaís, Wladimir, Donato, Basílio, Baltazar, Mineiro, Ado, Tobias, Rodrigo, Justino, Edvaldo, Gleison, Flávia, Kayan, Yvan, Inaté, Anderson, Augusto, Diego, Fabrício, Mário, Tico, Luciano, Claudinei, Roneibo, Douglas, Pantcho, André, Thaís, Débora, Eduardo, Tonhão, Monga, Ninja, Olivetto, Domingos, Juca, Daniel, Danilo, Marcelo, Geléia, Paracatá, Batata, Denílson, Roberto, Márcio, Waleska, Tatiana, Tamara, Keisy, Fábio, Silvio, Aline, Dentinho, Christian, Ronaldo Giovanelli, Baltazar, Geraldão, Vinicius, Paula, Priscila, Camila, Sarah, David, Alexandre, Bruno, Tupãzinho, Karol, Luzia, Marcela, Marcelo, Fátima, Elaine, Geni, Elisa, Dirce, Flávio, Júlio. Por outras 30 milhões de pessoas. História de uma nação.

Eu espero que dessa vez a gente tenha aprendido algumas lições. A primeira delas é a da grandeza do Corinthians. Nós somos gigantes. A outra é de que a Libertadores não é o Centenário. E a de que a conquista da Libertadores só terá toda essa importância quando couber na nossa história. Quando for digna de fazer parte de todas as nossas outras conquistas. Quando for suada, na raça, com gente honrando a nossa camisa PRETA e BRANCA. Com dinheiro suado, apertado, mas justo. Sem que a gente precise sacrificar metade do nosso orçamento familiar para fazer parte da festa. Sem que a gente precise soltar fogos de artifício aos borbotões no primeiro jogo como se fosse o último. Quando a gente parar de tratá-la como obrigação, como se fosse a última coisa que a gente tem para fazer nesta vida. A nossa obrigação é outra. É honrar a nossa ideologia. O nosso hino, o nosso emblema, a nossa tradição. Os nossos fundadores. Os nossos ídolos. Os verdadeiros, não os falsos. A nossa torcida.

Quando a gente disser não para esta história de futebol moderno. Porque se tudo o que a gente viu for a tendência do futebol moderno, então eu espero que o Corinthians pare no tempo. Que se enraíze nos seus 100 anos e fique. Que a gente ignore solenemente o exemplo do tal primeiro mundo, que a gente não tente transformar o nosso futebol no modelo europeu. Antes que o nosso ingresso seja cobrado em euros e a gente continue recebendo o nosso salário em reais. Antes que o futebol seja território somente de patrões, empresários e executivos pernas de pau e a gente ignore nosso povo também motoboy, pedreiro, operário, servente, manicure, faxineiro, empregado, trabalhador. Antes que o futebol seja feito para europeus enquanto a gente continue aqui, brasileiríssimos.

3 comentários:

p. disse...

Po**a Mila... curintia meu?



rsrsrsrsrsrs
Brincadeirinhas a parte, faz tempo que não passarinho por aqui (logo tu que vivia lá no meu).
Acompanho-te na ausencia de comentários mas não na leitura dos posts.

E lembre-se:
O sonho acabou: Ronaldo comeu tudo!!!

hahaha
p. so heavy

marcel gussoni disse...

Ola Mila, obrigado pelas palavras carinhosas lá no blog. Espero que o seu almoço do dia das mães tenha funcionado bem, depois me conta! ;)

bjs

Rafa disse...

Relaxa...só quem é Corinthians, vai entender !!!!
Vai muito além de títulos, 1º ou 2º lugar...é amor indescritível, é aquela emoção quando a torcida canta, quando os jogares são guerreiros e lutam até ao final, aquela tristeza calada quando não conseguimos, mas a certeza de que estaremos lá amanhã, continuando a areditar e empurrar nosso time!!!

Ninguém vai entender mesmo...pq isso é Corinthians !

Vai Timão !!!!!

(desculpe a invasão, li o post e meu coração corinthiano falou mais alto e tive que comentar rsrs)
Beijos