11.10.12

.das palavras não ditas.

Trabalhava tarde naquela quarta-feira. O café já não segurava os olhos cansados, que insistiam em fechar. Era madrugada e ela sentia em sua pele, pesava. Como se a madrugada tivesse gosto amargo. Por vezes tem mesmo, pensou.

Sentiu saudade.

Pegou o celular e fez a única coisa que podia: enviou uma mensagem. Não pensou duas vezes, para ela é simples fazer o que fez. Não dói. Escreveu: Amo você. Sem aspas. Só querer. Cheio dele.

Esperou... Esperou... Esperou. Cansou.

Apagou o abajur, fechou os olhos e dormiu.

De resposta ouviu: "estava com tanto sono que não respondi".

Engraçado mas parece que a gente não se basta mais.

4.10.12

.das certezas do tempo.

O tempo é curto, passa fácil pelas mãos e olhos... Escorrega. E de repente tudo se perde, se entrega.
Um abraço mal dado, um beijo sem desejo. Um filme com the end corrido.
Todo mundo quer tanto, mas não há tempo que espere, que aguarde.
A gente quer mudar, quer fazer... Tentar esquecer, mas não dá, não adianta.
Certas atitudes balançam, marcam, ficam... E não tem como evitar.
É como se tivéssemos trocado o tempo pela comodidade. Ninguém mais vai lá e te pega de surpresa. Um beijo roubado, uma pegada diferente, aquela puxada de cabelo... Aquela palavra. AQUELA.
Isso precisa voltar, sabe? Foda-se a importância do tempo. Vamos fazer o nosso próprio. Com as nossas vontades. Na raça, mãos na massa! Tem que transformar o barulho e voltar a suar. E a saliva tirar o lugar do pó. Revolução dentro de nós, pulsando.